O planeta dos macacos

O planeta dos macacos

É a discussão do momento. A banana jogada no jogador brasileiro Daniel Alves, do Barcelona, por um adepto do Villareal, a jogar em casa. Só que o lateral brasileiro fez o que ninguém esperaria: pegou na banana, comeu um pedaço, jogou o resto fora e siga o encontro. O árbitro registou a cena, ao minuto 75, quando Daniel Alves se preparava para cobrar um pontapé de canto (escanteio também gosto), e agora o Villareal corre risco de sanções. Para já, e como medida atenuante, o clube expulsou para sempre o adepto que arremessou a banana.

O gesto de Daniel Alves deu entretanto azo a uma onda de solidariedade viral nas redes sociais, blogues e informação generalista. O comentário mais audaz e realista chegou de outro brasileiro, Neymar, que escreveu algures: “somos todos macacos”. Nem mais! Podia virar slogan para o Mundial que se aproxima. Com a criatividade brasileira podia virar cântico até.

A questão é grave, todavia. O racismo está mais ‘na moda’ do que se imagina. Veja-se a propósito o comentário do dono dos Los Angeles Clippers, da NBA, que num telefonema à namorada lhe terá dito que lhe incomodava o facto de ela querer promover a ligação aos negros. “Podes dormir com eles, podes fazer o que quiseres. A única coisa que te peço é que não promovas isso e os leves aos meus jogos. Não tens de ter fotos com negros no teu Instagram asqueroso”, disse Donald Sterling. Milionário, claro está, excêntrico e arrogante como convém. A questão é de tal forma grave que até o presidente Obama já se referiu ao assunto.

Só que numa sociedade focada no modo como os ricos e os famosos de toda a espécie vivem, os seus comportamentos replicam-se e de condenáveis passam a tolerados. Fumar crack numa discoteca não tem mais nada de escandaloso desde que Kate Moss foi flagrada. E ainda tirou proveito do facto; gozou umas férias bem merecidas e voltou em grande qual fénix, a cobrar mais ainda.

O mesmo se passa com o racismo, que tão vulgar se tornou para mal dos nossos pecados. O fenómeno tornou-se viral e de repente passou de Itália para Espanha e Inglaterra e tornou-se ‘cool’ tecer comentários racistas ou ter atitudes idiotas como a do adepto do Villareal.

Contudo, como bem sintetizou Neymar, somos todos macacos, brancos e negros, latinos ou orientais, ricos e pobres, famosos ou incógnitos, não passamos de pobres macacos com especial gosto por bananas. Bem vindos ao Planeta dos macacos.

Luís Figueiredo

 

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