Arnaut aconselhou Goldman Sachs a investir no BES, so what´s the big...

Arnaut aconselhou Goldman Sachs a investir no BES, so what´s the big deal?

By Maria Teixeira Alves

Vejo que depois da notícia do Wall Street Journal que dá conta que os portugueses José Luís Arnaut e António Esteves intervieram de forma decisiva para desbloquear empréstimos e investimentos da Goldman Sachs ao BES em vésperas do colapso do banco, ficou tudo muito entusiasmado. Como se tivessem finalmente apanhado um do PSD a prevaricar. Ora não há aqui nenhuma prevaricação política. Se alguma coisa fez José Luís Arnaut foi dar maus conselhos à Goldman Sachs. Agora cabe ao banco norte-americano lidar com esse assunto.

Repare-se a história é esta:

A Goldman Sachs tornou-se accionista relevante do BES e emprestou 835 milhões de dólares (681 milhões de euros à data) ao banco português, quando já nenhum banco o fazia, ou seja, em Junho.

Já no meu livro O Fim da Era Espírito Santo eu referia a intervenção do Goldman Sachs por intermédio do seu gestor português, José Luís Arnaut: “Mas surgira também o norte-americano Goldman Sachs, certamente por ter como consultor José Luís Arnaut e este ter sido convencido a estudar a compra de uma participação significativa no BES. O banco norte-americano chegara a ter 2,27% do capital social do BES, depois de ter comprado a 15 de Julho acções do banco, para mais de 127,6 milhões. Por sorte conseguiram vender essas acções antes da derrocada de dia 31 de Julho…» e ainda: “Mas porque raio haveria o banco de investimento Goldman Sachs de querer comprar uma fatia do Banco Espírito Santo? Isso era deveras intrigante. Mas rapidamente surgiu à ideia a razão, Mas rapidamente surgiu à ideia, seria mais uma vez um espírito de missão de ajudar o país? Diz-se que o estudara porque fora feito um convite ao advogado e político José Luís Arnaut que é consultor do banco norte-americano. Se era mesmo assim ou não, não se consegue desvendar. No dia 1 de Setembro chegara, uma notícia por intermédio do Wall Street Journal. No dia 3 de Julho, quando o banco de Ricardo Salgado já não se conseguia financiar no mercado através dos meios normais e cada vez mais perto do colapso, quando os mercados já se fechavam para os títulos de dívida do banco, e se estava a esgotar o limite de financiamento junto do BCE, o BES encontrou um aliado em Wall Street, o Goldman Sachs emprestou 835 milhões de dólares (635,6 milhões de euros) ao BES, através de um veículo especial criado no Luxemburgo, a Oak Finance, para que o banco financiasse a construção de uma refinaria na Venezuela. Um lema parecia estar sempre pendurado na porta do BES: ajuda-me tu que eu te ajudarei. O BES financiava a construção de uma refinaria da Venezuela, e entidades ligadas à Petróleos da Venezuela compraram papel comercial da ES International no valor de 267,2 milhões de euros».
José Luís Arnaut foi nomeado membro do comité de aconselhamento internacional da Goldman Sachs pouco tempo antes do colapso do BES, no início de 2014, “por causa da sua grande agenda de contactos”, diz o WSJ. “Estabeleceu contactos com Ricardo Salgado” e “ofereceu a ajuda da Goldman para conseguir dinheiro emprestado”. Já António Esteves, o português sócio da Goldman Sachs, reuniu uma equipa em Londres para “criar uma estrutura complicada para obter o empréstimo”, escreve o jornal.

What´s the big deal? Ora se estão descontentes só têm uma solução: despeçam o advogado português. Fim da história. Se foi um mau conselheiro cabe ao banco norte-americano despedi-lo.

A Goldman Sachs e Banco de Portugal estão agora em conflito por este empréstimo ter sido transferido, no final do ano passado, para o “banco mau”. Se a culpa é de José Luís Arnaut quem tem de lidar com isso é a Goldman Sachs.

Mas o banco norte-americano não está propriamente isento de pecado. Reparem, a Goldman Sachs criou uma sociedade veículo, a Oak Finance, para estabelecer o financiamento ao BES. A Oak Finance terá sido usada para financiar um projecto na Venezuela de forma encapotada. Esse seria o interesse da Goldman Sachs: ganhar negócios da Venezuela com pele de BES.

Aqui é que reside o busílis da questão. O importante é o esquema descrito aqui. O resto são detalhes sem importância.

Blogue do autor: Corta-Fitas

 

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