TIMOR-LESTE – A HORA DA VERDADE

TIMOR-LESTE – A HORA DA VERDADE

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Continuamos a ser o pequeno David vivido entre dois vizinhos gigantes. Mas o David, Rei de Israel que eu conheço, era um simples pastor que soube esperar o tempo. Um guerreiro que sabe de onde vem e para onde quer ir. Eu penso que a história de pequeno David e gigante Golias está repleta de lições para nós. Que cada vitória conquistada seja para glória colectiva e não para nós mesmos.

 

Em todo o caso, é preciso encontrar urgentemente uma solução para o equilíbrio entre o “poder carismático-político e o poder técnico-racional”. Caso contrário, o nosso sistema de governação não se adapta nunca à democracia que sempre queremos para este país. Tenho-o dito desde há muito tempo que o processo de transição de liderança foi precisamente para encontrar uma solução para o Governo, não um Governo de solução para os problemas do país! Temos um Governo inspirado em geração nova liderado por um grande homem chamado Dr. Rui Araújo mas quando não se tem equipa não se pode fazer milagres!

 

Timor-leste não é um país difícil de governar. Tenho, por vezes, algumas dúvidas sobre como os representantes do país exercem as suas competências. Há uma grande discrepância entre capacidade de criar ideias e competência de implementar ideias. O perigo de insucesso da governação mora aqui. Os Partidos têm de estar à altura do desafio. Se não têm, é e será uma desgraça! Porque para governar, não basta ter sentido de politiqueiro, é preciso estar preparado.

 

A actual crise é fruto disso. Temos dificuldades de nos adaptar ao processo evolutivo da globalização. Quando decidimos desafiar os nossos limites, tínhamos consciência de que a única forma de ultrapassar estes obstáculos era estar unidos e ter uma cultura de compromisso em função da realidade. Estamos em desvantagem sob o ponto de vista social e económico no contexto regional! Há um ditado que diz: “podes escolher amigos mas não podes escolher vizinhos”.

 

O país está numa fase em que o “jogo de passa culpas” tem de acabar e dar espaço ao diálogo reflectindo sobre o porquê de nós não conseguimos sair do ciclo de impasse. A origem da crise está muito mais atrás. E está fortemente associada à justiça e de confiança nas instituições do Estado. Há um aumento de indignação e de desconfiança sobre o nosso sistema judiciário que é um pilar e um espelho da nossa democracia, uma referência ético-politica de um Estado de Direito. Temos um Ministro da Justiça que não está à altura do desafio continuando a não encontrar as medidas necessárias para tornar o sector da justiça mais transparente e independente. Ora, isto, naturalmente, coloca em causa o normal funcionamento das instituições do Estado em especial a própria democracia!

 

O futuro Governo terá que ser um defensor da boa governação, que saiba representar da melhor forma o sistema da governação, um sistema em prol do Estado social.

 

Se não for por este caminho, então estamos diante de um sistema anti-social e teremos que desobedecer porque ninguém é escravo da sua própria lei.

 

Este Estado não pode gerir e ser administrado por mãos invisíveis. Para tal, temos que encontrar um Governo de solução.

 

Dada a actual conjuntura política, sobretudo os comportamentos dos eleitores, creio que a formação do futuro Governo passará por entendimentos em diferentes níveis entre a liderança histórica. Uma transição saudável passará por uma liderança de consenso que reúna condições para decidir e ter coragem para implementar a política de reforma. A começar pelas reformas estruturais.

 

Tenho dito.

 

15 Mar 2016

 

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António Guterres

 

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