Cronicas do Maldizente

By A.J.Ribeiro

Supostamente passa a ser obrigatório, a partir de hoje, escrever de acordo com as regras do Acordo Ortográfico.

O Acordo Ortográfico foi mais uma das muitas sacanices que se fizeram a Portugal nos últimos 20 anos. Serviu apenas para meia dúzia de gentalha ganhar dinheiro à custa da língua e da cultura do seu País, sacrificando-a em prol de interesses comezinhos e rascas.
A aprovação do Acordo só se deu porque a maioria dos políticos na Assembleia da República é gente sem conhecimentos nem princípios, gente menor, criaturas brutas e ignorantes que, provavelmente, passaram a escrever bem com as regras do Acordo porque muito provavelmente também escreviam com erros antes da aprovação do Acordo.

De resto, o Acordo Ortográfico é apenas um símbolo: o símbolo do baixo a que desceu a nossa política e quem nos governa. O baixo que é ter-se um reformado na Presidência da República que fala em “cidadões“. O baixo que é ter-se uma Presidente da Assembleia da República que fala em “inconseguir“. O baixo que é ter um País pejado de jotinhas, putos ignorantes que nunca estudaram nem trabalharam na vida e que ganham ordenados bem recheados, acusando depois a Função Pública de ser incompetente e ganhar demais. O baixo que é ter-se um líder da oposição sem ideias nem projectos e um Primeiro-Ministro que acha que é um crime acabar com os sacrifícios.

Este País entrou no campo do mete-nojo. Toda a estrutura do Estado está controlada por uma comandita de corruptos e incompetentes, servos acéfalos de interesses económicos, que têm vendido o País a tostões, destruindo uma estrutura produtiva a troco de elogios hipócritas que vêm de fora, daqueles que, depois, apontam o dedo ao País com acusações de que não trabalhamos nem produzimos.

O Acordo Ortográfico é apenas mais um símbolo da decadência a que este País desceu.

E contra isso há que lutar. Há que lutar por quase 900 anos de História. Há que lutar pelo orgulho de se ser português, de se pertencer a um povo que em tempos foi grande, a um povo que levou a própria civilização europeia mais longe.

É nossa obrigação não respeitar as regras do Acordo Ortográfico. É nossa obrigação, diariamente, escrever em Português.

A publicação do meu romance “Flavea” foi feito, por exigência minha, de acordo com as regras de língua portuguesa anteriores ao acordo ortográfico. A publicação do meu próximo romance será feita de acordo com as mesmas regras. E dos que vierem a seguir.

O dia em que escrever segundo as regras do Acordo Ortográfico será o dia em que terão o direito de me esbofetear.

Blogue do autor: Crónicas do Maldizente – António Ribeiro

 

By A.J.Ribeiro

Julgo que poucos ainda se aperceberam de que chegámos ao fim do caminho. Chegámos ao fim do caminho iniciado em 1945 com o final da II Guerra Mundial. Chegámos ao fim do caminho de progresso e desenvolvimento. Chegámos ao fim do caminho da solidariedade criada pelo Estado Social, que impedia, no geral, a miséria absoluta. Chegámos ao fim do caminho da Democracia como a conhecemos. Centramo-nos muito em coisas pequenas e não conseguimos vêr a fotografia toda. Chegámos ao fim.

O Mundo que nasceu, cresceu e se desenvolveu depois de 1945 é hoje um velho agarrado à máquina. O Mundo mudou. Envelheceu. E uma vez mais todos esqueceram a História. Que se repete.

Ninguém fala nisso. Os que não o percebem não podem, evidentemente, falar disso. Os que o percebem não querem falar. Compreendo, até certo ponto, isso. Não é fácil falar do fim.

O Século XXI é o século dos grandes blocos económico-militares. Europa. América do Norte. Brasil e Argentina. África do Sul. Índia. Rússia. China. Austrália. E como sabemos quando estudamos História, as transições nunca foram pacíficas. Esta, penso eu, também não será.

A nossa Europa é, hoje, uma sombra do que já foi. Em crise permanente há mais de 10 anos, sem crescimento económico, com Estados que vão falindo uns a seguir aos outros para sustentar uma sociedade que não pode ser sustentada sem crescimento económico. A Europa tornou-se numa espécie de alcateia de lobos com diversos lobos alfa ou lobos menos alfa que não aceitam o serem menos alfa. A Europa da União acabou. Não acabou agora, com a Grécia. Acabou quando os líderes que a criaram e a desenvolveram abandonaram a política e foram substituídos por gente pequena, sem visão nem força, subserviente a interesses globais económicos e industriais. Pior do que isso, líderes que se recusaram a ver – e a informar os seus povos – de que o mundo mudava. Os europeus continuam a viver no passado num mundo que é de um futuro que não será nem fácil nem pacífico.

E uma vez mais julgo que a quebra acontecerá na Europa. A evolução das relações com a Rússia, governada por um ex-agente do KGB – a polícia política da União Soviética – mostra que estamos a caminhar rápidamente para uma situação de conflito. A Ucrânia foi apenas um aperitivo para o que vai acontecer nos próximos tempos. A aceitação europeia e americana do que se passou na Ucrânia é igual, sem tirar nem pôr, à placidez da Europa quando Hitler invadiu e anexou a Checoslováquia. A Moldávia está – embora não se fale nisso – numa situação já muito parecida com a Ucrânia. E na semana passada o Secretário Americano esteve na Europa em reunião com representantes da Estónia, Letónia, Lituânia, Polónia, Bulgária e Roménia. O resultado? O fornecimento imediato de armamento pesado àqueles países e a a preparação para os próximos meses de manobras militares. Um sinal à Rússia de que não será tolerada outra Ucrânia. A resposta da Rússia? O envio de forças militares para as fronteiras dos países bálticos. A História a repetir-se 80 anos depois.

Ao mesmo tempo temos o Médio Oriente a ferro e fogo. A chamada “Primavera Árabe”, tão apoiada pelos líderes europeus apenas acabou com os regimes que mantinham controlados radicais e terroristas. A Líbia é hoje tudo menos um Estado. A Tusia é atacada por ser uma democracia relativamente igualitária. A Argélia não se compreende bem o que é e o Egipto e Marrocos apenas sobrevivem porque se tornaram mais duros e, no caso do Egipto, vão passar a ponta de baioneta os líderes radicais que tentaram transformar aquele país em mais um Estado Islâmico. Ao mesmo tempo, a Europa tornou-se um campo de batalha (ainda) encapotado, entre culturas que tendo sido acolhidas cá não aprecem querer aceitar as nossas próprias regras. Da aceitação da diversidade a Europa caíu na bagunça. Daí às decapitações de empresários, como há dois dias em França, foi um passo.

Muito se fala na Grécia. E bem. Porque a importância geo-estratégica da Grécia é fundamental para a Europa. Porque a Grécia está num ponto geográfico em que funciona como uma das primeiras zonas de bloqueio de um futuro conflito. Os líderes europeus, cegos pela sua estupidez e falta de visão, não compreenderam que a Grécia não é apenas um estado falido – de resto, com a conivência e, mesmo, com a ajuda da Europa. É um porto de entrada, no limite, na Europa daqueles que querem acabar com essa mesma Europa.

Ninguém parece estar a prestar atenção a nada. Apenas aos seus próprios umbigos. Tenho a convicção de que tudo isto vai acabar mal. E não consigo deixar de me envergonha de pertencer a uma geração que tanto se preocupou com o seu umbigo que vai acabar numa qualquer trincheira numa guerra que estou convencido chegará, infelizmente, em breve.

Blogue do autor: Crónicas do Maldizente – António Ribeiro

 

By A.J.Ribeiro

Neste fim-de-semana viveram-se alguns daqueles momentos lindos em que sinto um enorme orgulho do meu País. Ou não.

Para quem esteve atento aos noticiários reparou que se falou da Convenção do PS, dos desdizeres de Passos e de Portas, de respostas idiotas do Reformado que, por acaso, também ocupa o cargo de Presidente da República … nos intervalos do futebol. Uma vez mais os canais de notícias falaram de futebol e futebol e PS e futebol e Passos e futebol e futebol e Portas e futebol.

A tal ponto que se assiste àquele ponto rasca – que mostra a qualidade de uma pessoa – em que um ministro acha natural comentar futebol. Eu sei que vindo de Pires de Lima já poucas coisas nos espantam. Para além de ser um bacoco e um perfeito – e desrespeitoso – idiota, ficou-se a saber que Pires de Lima acha que, enquanto ocupa o cargo de ministro, pode fazer, tranquilamente, comentários sobre as negociatas e lutas entre clubes de futebol. Como digo muitas vezes, Portugal é aquele país onde, quando achamos que batemos no fundo, conseguimos escorregar sempre um pouco mais.

Mas como se isso não bastasse, temos depois o presidente do Sporting a responder aos comentários do ministro como se estivesse a responder a alguém do mesmo nível. Ía dizer que num país civilizado isso sería um escândalo mas a verdade é que num país civilizado isso não aconteceria. Acontece em Portugal porque por cá um presidente de um clube de futebol acha que pode responder a um ministro como se estivesse a falar ali com o Zé da esquina. Mesmo que o ministro seja o Zé da esquina.

Neste jardim à beira-mar plantado as coisas continuam na mesma. E vão continuar porque os portugueses estão mais interessados nas quesílias do futebol do que no facto de o discurso do PS começar a ser mais ou menos o mesmo do discurso do PSD/CDS. Só os adjectivos são diferentes.

Mas sobre isso falamos noutra altura. Dizer mal de tanta gente ao mesmo tempo deixa-me cansado. E eu tenho que estar em forma para ouvir as notícias e me poder rir, aí sim, até à exaustão.

Blogue do autor: Crónicas do Maldizente – António Ribeiro

 

By A.J.Ribeiro

Pela primeira vez na vida concordei com José Sócrates: o sítio mesmo bom para ele é a prisão. Essa história de lhe darem uma pulseirinha e mandarem-no para casa é de larilas.

Para além do mais essa de o mandarem embora só pretende terminar com a rede de relações que ele, seguramente, criou na prisão de Évora. Por exemplo, com os amigos do duche! Eu tenho a certeza que o Sócas já tem uma data de amigos do duche. Uns à 2ª, outros à 3ª e por aí fora. Para variar e a coisa não se tornar aborrecida. Então agora querem terminar com essa relação de amizade … profunda????

E os amigos do passeio? Sim, porque o Sócas de certeza que não passeia sozinho do pátio da prisão. Anda por lá ele e os outros criminosos. Porque, caso se tenham esquecido, o Sócas está na prisão porque é um criminoso. Os indícios são mais do que muitos. Ou então o tuga é tão estúpido – e há muitos que o são – que acha que isto de um gajo andar a dar a outro uns milhões de cada vez que lhe pedem é de amigo. Não é! É de esquema. Matreirice. Crime. Ponto.

Depois, mandá-lo para a Braancamp, onde comprou um apartamento de centenas de milhar de euros sem ter dinheiro – ou só com o ordenado de primeiro-ministro, que de qualquer das maneiras não dava para a coisa – era acabar com o turismo em Évora. E nós sabemos como o interior precisa urgentemente de revigorar a sua economia. Agora imaginem os estúpidos que foram a Évora, aqueles idiotas em romaria, que sempre lá deixavam algum a não voltarem lá? É verdade que não têm ido muito nos últimos tempos mas de qualquer das maneiras …

Depois há aquela coisa do mártir. Se ele volta para casa deixa de ser mártir e lá vão por água abaixo os planos para construír um santuário a São Sócas.

E, finalmente, por mim próprio, que não me agrada saber que na cidade onde trabalho há um gandulo como o Sócas, quase solto. Só com uma pulseirinha larilas. Imaginem que o gajo se conseguia raspar? E me vinha pedir um milhãosito só para ir ali e tal, fazer compras, como a mãe do Cristiano Ronado … arre!

Quero deixar aqui o meu elogio público ao Sócas pela atitude de criminoso com honra: Porreiro, pá!

Blogue do autor: Crónicas do Maldizente – António Ribeiro

 

By A.J.Ribeiro

Guerra Junqueiro, no seguimento do texto que serve de moto a este blog, escreveu:

Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.”

E continua:

Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos,iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar.”

Passados, mais coisa menos coisa, 150 anos, o País é o mesmo. O mesmo Povo estúpido e atrasado, gentinha sem força nem ganas, mais preocupados com o árbitro não sei quantos ou com o fora-de-jogo não sei onde do que com a comandita de bandidos e salafrários que nos rouba até à medula. E a mesma cambada de salafrários que nos continua a roubar até à medula, prejudicando todo um País a favor de meia dúzia de interesses e interesseiros. Somos os mesmos. Nada mudou.

Passos Coelho, que já não estava muito acima de Sócrates na sua senda governativa – e veremos se, afinal, também não tem andado a viver de empréstimos milionários de amigos mãos-largas – bateu no fundo. Claro que nós sabemos que por cá há muitos fundos e, portanto, não custará um dia destes a descobrir que conseguirá encontrar outros fundos abaixo deste. Mas adiante.

Vem isto tudo a propósito das declarações do Coelho na inauguração de uma queijaria em Aguiar da Beira.

Eu já acho ridículo um Primeiro-Ministro ir à inauguração de uma queijaria. Apenas demonstra que temos um governo ao nível de queijaria. E termos um governo ao nível da queijaria significa que, mais tarde ou mais cedo, vamos assistir a inaugurações de tabancas de cerveja na praia.

Mas se isso já era mau, quando o Coelho abre a boca para elogiar Dias Loureiro, que ali estava também a assistir à inauguração da queijaria, está tudo dito. Coelho elogia Loureiro como empresário de sucesso e homem que viu o mundo. Mas Coelho esqueceu-se que Loureiro foi administrador do BPN, um banco que nos levou mais de €4.000.000.000 (4 mil milhões) de euros. Que Loureiro é um corrupto e que fugiu, quando o escândalo rebentou, para Cabo Verde com 5 milhões de euros. Do próprio BPN.

Esqueceu-se também que Loureiro foi o homem que levou à última revolta popular em Portugal, quando se bloqueou a Ponte 25 de Abril. Que Loureiro nunca fez nada de significativo na vida, para além de dar uns saltos pela política e roubar o País.

Este foi o alvo dos elogios de Coelho. Um homem envolvido nos esquemas da Tecnoforma (que formava gente para os aeroportos do interior do País, embora o País não tenha aeroportos no interior), que recebeu dinheiro do Parlamento quando deixou de ser deputado quando não tinha direito a esse dinheiro, que tinha dívidas à Segurança Social que não pagaria se isso não tivesse vindo a público (ao contrário de pessoas que, por dívidas bem menores, viram as suas casas penhoradas).

Isto é a gentalha que governa este País. A mesma gentalha ordinária que levou ao fim da monarquia com um povo atrasado e inculto, a mesma gentalha ordinária que levou ao descalabro da I República e, consequentemente, ao surgimento do Estado Novo, a mesma gentalha reles que tem, paulatinamente, acabado com a República democrática nascida há 40 anos.

Só tenho um desejo. Que a próxima revolução – que estou certo acabará por vir – em vez de flores traga armas e as use nesta gente corrupta e incompetente que acaba com um País com o mesmo à vontade com que elogia corruptos e criminosos.

Blogue do autor: Crónicas do Maldizente – António Ribeiro

 

By A.J.Ribeiro

Como sabem não acompanho os eventos futebolísticos que se vão desenrolando pelo nosso País e pelo mundo. Vejo aquilo como o ópio do povo, em substituição da religião. Mas dei conta que tem havido, desde Domingo, uma grande agitação com o Benfica-Porto, não por causa do jogo mas por causa do desentendimento entre os treinadores.

Acabaram por me contar que a coisa tinha a ver com a troca de nome do treinador do Porto, um gajo qualquer chamado Lapituga.

Pelo que percebi, o treinador do Benfica troca por vezes o nome do Lupatiga mas isso não deve ser nem motivo de espanto nem de ofensa. Primeiro porque o treinador do Benfica tem algumas limitações intelectuais e culturais – apesar do excelente rendimento anual (percebem porque é que não gramo o futebol?). Em segundo lugar porque é fácil trocar o nome do Liputega.

A verdade é que um gajo chamado Lepatiga está sujeito a ver o nome trocado. E mesmo que lhe trocassem o nome de propósito não tinha o direito de se ofender porque um gajo com risco ao meio não tem direitos. Principalmente um gajo com risco ao meio chamado Lapateca. Ainda por cima um gajo de risco ao meio, treinador do FCP e chamado Limpatunga. Não tem. Tem que amochar e calar.

E se não gosta de se chamar Lempotaga que se vá queixar à mãe. Ninguém deveria ter o direito de chamar Limpatonga a um filho!

Blogue do autor: Crónicas do Maldizente – António Ribeiro

 

By A.J.Ribeiro

Uma das características mais óbvias das pedras é a ausência de um sistema cerebral. As pedras não têm massa encefálica. Consequentemente, não têm neurónios. No essencial as pedras não pensam. São aquilo a que se pode chamar de calhaus.

Vem esta breve observação geológica a propósito das afirmações do Ministro Maduro. Nas palavras dele, os portugueses compreenderam os sacrifícios a que foram sujeitos e por isso vão recompensar o governo nas próximas eleições.
Destas palavras pode-se concluír, sem qualquer tipo de hesitação, que o Ministro Maduro tem uma grande ligação com as pedras. Na verdade, até se pode concluír que o Ministro Maduro é um verdadeiro calhau.

A verdade é que só um calhau pode dizer uma coisa destas. Até dá a impressão que os portugueses foram todos tratados da mesma forma. Não foram. Uns apanharam mais do que os outros. No essencial, os portugueses que trabalham, os portugueses reformados, os portugueses desempregados. Esse apanharam com os sacrifícios. E em larga escala. Por exemplo, os portugueses que não conseguem arranjar emprego e que, apesar disso, perderam os subsídios da Segurança Social. Ou os reformados que descontaram a vida toda e que, de repente, são confrontados com um Estado gatuno, liderado por gatunos, que muda a seu bel prazer os termos dos acordos feitos e que corta nas reformas a que se tem direito.

A verdade é que só um calhau pode achar que o Zeinal Bavaque tem alzheimer como se viu na comissão de inquérito do BES, onde nunca se lembrou de nada – que meteu a PT no buraco e a seguir se vai embora com 6 milhões de euros de indemnização. O Bava não é igual ao Zé Manel do Gancho, que tem uma pensão de 300 euros e que ainda é olhado de lado pelo ministro da trabalho e da segurança social porque nunca mais morre.

O Maduro é um calhau. Devia, se isto fosse um país a sério, ter encontros diários com os seus familiares: de cada vez que saísse à rua era corrido à pedrada por quem se cruzasse com ele. É pena isto não ser um país a sério.

Blogue do autor: Crónicas do Maldizente – António Ribeiro

 

By A.J.Ribeiro

Os portugueses, para além de só ligarem ao futebol, têm uma sina que não se deseja a ninguém: a quantidade de políticos feios é aterradora.

Se começarmos no reformado que ocupa o lugar de Presidente – e olharmos para a Maria – começamos logo a vacilar. Mas aquilo existe? Será que ele nunca ouviu falar em aparar as sobrancelhas?

Descendo na hierarquia política, damos com a Presidente da AR. Bom, aí aproximamo-nos da síncope cardíaca. A mulher é feia como os infernos e bimba como tudo. E a forma como se veste faz parecer os romenos que pedem nos semáforos como uns senhores da moda.

Entrando no Governo parece que estamos na antecâmara do Inferno. A começar na careca mal disfarçada do Portas – que ainda por cima tem uma cabeça em bico, tipo picareta, segue-se pelo ar vagamente … hmmmm … adiante … da ministra da agricultura, o excesso de botox da ministra da Justiça, o ar de fuínha do ministro do trabalho, ou aquele ar de engatatão de casa de alterne do ministro da defesa. Ou o arzinho do Núncio. Que se destaca de entre os secretários de estados por ser o mais feio de todos. Bom, talvez o irmão gémeo do Zeinal Bava – o secretário de estado da cultura – lhe consiga fazer concorrência. Reconheço que estão os dois bem como candidatos ao mais feio do governo …

Mas, como disse, o governo é só a antecâmara do Inferno. Que é o Parlamento. Aquilo é uma autêntica Câmara dos Horrores.

Por exemplo, os Ferro Rodrigues e os dentes todos encavalitados, para além daqueles beiços hediondos – já fazias uma plástica, ó Ferro – continuando nas deputadas do PSD e do CDS, cada uma mais feia do que a outra – e até podiam ser feias e inteligentes, mas nem isso, continuando pelo deputado dos Verdes, que parece ter saído da cripta do Drácula, e terminando no Gerónimo de Sousa, aquilo não tem explicação. Devemos ter a classe política mais feia de toda a União Europeia.

Que me lembre, mais feio do que eles só o Hugo Chavez mesmo antes de morrer. Ou, vá lá, o Arafat.

Blogue do autor: Crónicas do Maldizente – António Ribeiro

 

By A.J.Ribeiro

António Costa trazia consigo muitas esperanças e expectativas.

Antes de mais para a malta do tacho, que achava que com Seguro não se safaria e portanto Costa seria melhor.

Depois para uns quantos papalvos que ainda acham que trocando de partido – de entre os que nos governam há 40 anos – a coisa iria mudar e ser melhor e passaríamos todos a viver melhor e a crise ía-se embora e … e …

Finalmente, para o grupo dos amigos do Sócas, que esperavam voltar à ribalta do poder.

Eu tenho para mim que a todos o tiro saiu pela culatra.

A verdade é que Costa tem sido um líder absolutamente deprimente para um PS que já anda a Xanax há uma data de tempo. Se compararmos com o período de Seguro, o PS não descolou do PSD/CDS, perdeu as eleições na Madeira de forma contundente – ficar atrás do CDS não é propriamente motivo de regozijo – e as ideias apresentadas são … zero.

Eu entendo que apresentar ideias que não são exequíveis, sendo prática corrente em Portugal. Mas podíamos, pelo menos, ter uma ideia sobre as ideias que vão naquela cabeça. Não temos. Para além das banalidades que nem chegam a ser ideias sobre o desejo de que os portugueses vivam melhor e que o país entre em crescimento e acaba o desemprego e por aí fora, Costa não tem dado a conhecer, sequer, uma amostra de um plano ou de um projecto ou qualquer coisa do género. Nada. O PS hoje é um absoluto deserto de ideias.

Ora, ao contrário do que possam pensar os líderes socialistas, estarmos em Abril – portanto a seis meses das eleições, mais coisa menos coisa – e não se saber o que pretender o principal partido da oposição transmite a ideia de que, na verdade, não sabem o que fazer ou então que, ainda que vençam, virá mais do mesmo. Por acaso acho que virá mais do mesmo mas a obrigação dos socialistas era tentarem convencer os eleitores de que não, não senhor, não virá mais do mesmo e, pelo contrário, os àmanhãs cantarão a plenos pulmões. Isso é o que têm feito o Coelho e o Portas, embora nós saibamos que a coisa só ameniza tenuamente este ano porque querem ganhar votos.

A mim não me parece mal que o PS não queira entrar no campo da mentira. Parece-me assustador a sensação de que no Largo do Rato não existe a mais pequena ideia do que fazer para o futuro, para além da linha que tem sido seguida.

E a desculpa – porque é uma desculpa – de que não falam antes de Junho, quando apresentarem o programa de governo, apenas dá a entender que, como a coisa vai ser mais ou menos igual ao que está, o melhor é tornar isso público quando o país fôr de férias. Pode ser que ninguém se aperceba de que mudam os macacos mas a árvore é a mesma.

Blogue do autor: Crónicas do Maldizente – António Ribeiro

 

By A.J.Ribeiro

A Directora da Comissão Nacional da Protecção de Dados disse, no Parlamento, que a lista VIP foi criada por informáticos. Demorei um bocado a fechar a boca. A verdade é que nunca tinha pensado nessa coisa tão óbvia: realmente, tiveram que ser informáticos a criar a lista. Nem poderia ser de outra forma: duvido que Paulo Núncio ou a Maria Luís tivessem conseguido fazer aquilo. Duvido, de resto, que tivessem o conhecimento e o acesso ao sistema para criar a lista.

Já estou, de resto, a ver a coisa. Acompanhem-me.
É noite. Aí meia-noite ou uma da manhã. Vultos encapuçados batem a uma porta, em código: 3 pancadas, pausa, 2 pancadas, pausa, um hurro baixinho. A porta abre-se e esses personagens entram. Quem abre espreita para a rua para ver se alguém por lá anda e fecha a porta. Dentro da casa os encapuzados tiram os capuzes e … zás! Um grupo de informáticos. Com pelo menos um administrador de redes, claro, que a coisa tem que funcionar perfeitamente, não se vá soltar um cabo. Esse grupo de informáticos – também lá tem que estar um técnico de segurança e, pelo menos, um programador, decide o impensável: criar a lista VIP. Mas ao contrário do que se pensa, esta lista VIP não significa “Very Important People” (pessoas muito importantes). Significa “Very Idiotic People” (pessoas muito idiotas). Só isso explica os nomes que – aparentemente – por lá andavam. Tenho a certeza que foi assim. Não sei como nem eu nem o resto do País tinhamos pensado nisto antes. Agora vai ser é complicado apanhar o administrador de redes. Esses gajos são sempre muito difíceis esguios ...

Hoje também, o Ministro da Economia, o brilhante Pires de Lima, anunciou que quando terminar a legislatura o desemprego será menor do que era no fim da era Sócas. Eu concordo. Todos temos visto a economia a crescer e o País a desenvolver-se a um ritmo alucinante – os alemães que se ponham a pau que mais milénio, menos milénio estamos ao nível deles! Mas a maior ajuda para Pires de Lima tem vindo dos mortos. É verdade: dos mortos! Se pensarmos na salmonela – ou lá como se chamava aquela coisa – na gripe de Janeiro e na quantidade de mulheres assassinadas pelos maridos – mais os que basaram daqui para fora e que apesar dos braços estendidos do nosso querido governo, se calhar não vêm, até estimo que cheguemos ao final do ano a precisar de mandar vir imigrantes. Gregos, talvez.

Este País está cheio de idiotas.

Blogue do autor: Crónicas do Maldizente – António Ribeiro

 

By A.J.Ribeiro

Uma amiga minha repete muitas vezes a expressão “O senhor é o meu pastor, nada me faltará“. Devo confessar que nunca percebi muito bem a lógica disto.

Primeiro, a expressão dá a entender que somos todos ovelhas. É verdade que há muitos que são. Mas as pessoas assumirem que são ovelhas e que se contentam com um bocado de erva … (e não daquela que se fuma, entendamo-nos).

Depois, o pastor é invisível. Eu não consigo imaginar como é que as ovelhas se safam com um pastor invisível. Se bem que, evidentemente, há muitos que se dão bem com um pastor invisível. Por exemplo, Moisés. Lá devia andar aborrecido com os companheiros e decidiu escrever umas coisas numa pedra (nem vou discutir a coisa de se escrever numa pedra quando num bocado de papel era bem mais fácil …). E depois veio dizer que aquilo lhe tinha sido ditado pelo homem invisível. Que é como quem diz, pelo pastor invisível. O tal das ovelhas. Que comem erva (mas não a fumam, note-se).

De resto, a teoria do homem invisível sempre teve seguidores pelo mundo fora. Todas as religiões se baseiam em homens – as politeístas, também contam com mulheres – invisíveis. E há sempre uns sortudos que sabem o que é que o homem invisível quer. Por acaso, também se acham no direito de mandar nos outros.

Só que nunca compreendi como é que o homem invisível muda tantas vezes de opinião. Senão vejamos. O homem invisível dos judeus era só castigos e cataclismos. Depois – se calhar fumou qualquer coisa – ficou um gajo fixe como tudo, numa lógia de paz e amor do género Woodstock: o homem invisível dos cristãos, que já tinha sido o dos judeus. Mas depois voltou a mudar de opinião – o dos muçulmanos – e até proibiu a malta de comer porco. Eu acho que o homem invisível tem um problema qualquer de dupla personalidade.

Mais valia ir fumando qualquer coisa de vez em quando, porque fica muito melhor quando o faz.

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By A.J.Ribeiro

A Ministra das Finanças declarou há dias que tínhamos os cofres cheios e por isso podíamos aguentar um tempinho se a coisa de complicasse lá fora. Toda a oposição se revoltou contra isto. “Afinal“, dizem, “temos os cofres cheios e o povo a passar mal“. Depois, acusaram-na de ter um discurso salazarista. A seguir o Primeiro-Ministro, nos Açores, fez um discurso tão irritado que a voz dele subiu de tom, de tal maneira que acho que o Portas tenha ficado de olho nele. E eu, para ser franco, não percebo nada do que se está a passar.

Comecemos pela conversa da Ministra. “Os cofres estão cheios“, diz ela. Mas cheios de quê, pergunto eu. De dinheiro não é com certeza, porque se fosse de dinheiro não estávamos ainda com os olhos da troika em cima de nós. Só se estiverem cheios de dívida.

A reacção da oposição mostra que são uns idiotas chapados. Pior. Que se preparam para, sendo governo, voltar às mesmas asneiras que nos trouxeram aqui. É que cofres cheios de dívida, são cheios de nada. Ou de dinheiro dos outros, que tem que ser pago. Ora esta postura da oposição mostra que não se importavam nada de voltar a gastar o dinheiro que não têm e depois quem vier a seguir que feche a porta.

Finalmente a coisa do discurso salazarista. Salazarista???? Mas onde? É que, goste-se ou não – e eu não gosto particularmente – Salazar tinha mesmo os cofres cheios de dinheiro que não era dívida. Era nosso. É verdade que o povo passava mal (passa melhor hoje?), a educação não era para todos (e hoje? é?), a saúde não chegava a toda a gente (hoje está um pouco melhor, é verdade) e por aí fora? Salazarista, o discurso da Ministra? Em termos de cofres cheios, tomaria ela ter um discurso Salazarista. Não tem. Tem apenas um discurso idiota que mostra que, ou está a ver se engana os portugueses (é bem provável que sim, e eles vão, seguramente, na conversa) ou tem uma ideia errada do que é ter o cofre cheiro. Ou as duas.

Quanto à voz do Passos e ao interesse do Portas não digo nada. Não gosto de me meter na vida privada de cada um …

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By A.J.Ribeiro

A decisão do Tribunal da Relação quanto ao pedido de Habeas Corpus apresentado pela defesa de José Sócrates – ou Socas (também serve e eu gosto mais) – vem colocar uma série de problemas ao injustiçado ex-primeiro-ministro.
 
Até aqui a argumentação era que o Juíz Carlos Alexandre e o Ministério Público eram isto, e aquilo, e não gostavam de Socas, e o que faziam não eram legal e por aí fora. A coisa foi por água-abaixo com esta decisão da Relação. É que os juízes da Relação não conheciam o processo, não estavam envolvidos na investigação e não tinham nenhuma ideia feita sobre o assunto. Limitaram-se a ler o processo e a tomar uma decisão com base nisso.
O resultado não é famoso para Socas. Nem para os amigos dele, que tanto lhe têm cantado hossanas e atacado a investigação, como se Socas estivesse acima da Justiça (ele acha que sim, nós sabemos, mas não está). É que agora mesmo os que têm estado naquela dúvida não comprometida, do género ‘eu não digo nada porque às tantas ele sai de lá e lixam-me a vida‘, começam a ponderar se não haverá mesmo muita porcaria por trás deste caso.
Também não é famoso para o advogado de Socas. Até aqui, ele podia arrogantemente dizer que o seu cliente estava a ser injustiçado. Agora precisa apenas de fazer uma operação ao nariz, porque afinal quem cheira mal não é a jornalista do CM mas é ele. E também não me espanta: aquele ar vagamente suíno – do género do líder da Coreia do Norte – que ele tem deve querer dizer alguma coisa.
E, principalmente, não é famoso para o rancho de seguidores que lhe fez uma vigília em Évora e que já lhe escreveram um hino (agora digam lá que não anda por aí gente estúpida como tudo …): é que agora fica mais difícil construirem o santuário a S. Socas …

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By A.J.Ribeiro

Pedro Passos Coelho teve dívidas à Segurança Social e não sabia. Coitado, nunca tinha dado conta. Acontece. Eu, por exemplo, gostava muto de ter dívidas à Segurança Social e ao Fisco mas, infelizmente, se eu tentar esquecer-me, eles mandam-me sempre um lembrete. São uns chatos. Mas ao Passos, por acaso e, seguramente, coincidência, esqueceram-se de lhe enviar o lembrete. Talvez os próprios serviços da Segurança Social precisem de lembretes para não se esquecerem de enviar lembretes.

Depois ficámos a saber que António Costa viveu no centro de Lisboa, num duplex com uma renda a um preço risível. Por acaso um apartamento num edifício reabilitado contra o parecer das autoridades competentes. É uma coisa que acontece. Principalmente a um Presidente de Câmara. Tudo, claro, dentro da maior transparência porque, afinal, se o parecer era contrário à reabilitação que foi feita e, ainda assim, a Câmara de Lisboa não ligou importância não passa pela cabeça de ninguém que não tenha havido esquema por trás do assunto e que ninguém tenha ganho nada com isso.

Portanto, a perspectivas são fantásticas para os próximos anos. Ou Passos volta a ganhar e continuamos com um Primeiro-Ministro que não pagava o que devia, que não declarou rendimentos, que usufruiu de subsídios do Parlamento quando não tinha direito a eles e por aí fora. Ou ganha Costa e ficamos a saber que para ele a opinião dos serviços do Estado vale o que vale e, quando não lhe interessar, não vale mesmo nada.

O resultado final disto tudo? Duvido que algum português, daqueles que foram mandados embora há 3 anos, volte ao abrigo deste programa estúpido lançado agora pelo Governo que quer, na verdade, que eles voltem, votem e, daqui a uns meses lhes estará a dizer: “é andar, é andar”.

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By A.J.Ribeiro

A notícia sobre a morte de um português ao serviço dos criminosos do ISIS tem feito as parangonas das notícias na televisão e foi motivo, até, para se questionar o Ministro dos Negócios Estrangeiros sobre o assunto. Rui Machete esteve bem: não comentou, dando a entender que se estava a borrifar para o assunto. Estou com ele.

Qualquer notícia sobre a morte de gente desta é notícia para me deixar satisfeito. Quase tanto, devo acrescentar, quanto a notícia da prisão de Sócrates.

Os crimes contra o Património da Humanidade cometidos por esta canalha vêm apenas juntar-se aos crimes cometidos contra a própria Humanidade. Queimar gente viva não se via há já algum tempo. Decapitações também não. A destruição de Património foi apenas o passo seguinte. E tudo isto, diga-se, com o silêncio cúmplice dos estúpidos – e canalhas – que normalmente acusam outros, como os EUA ou Israel, de crimes contra a humanidade mas que nada dizem quanto a isto.

Nas redes sociais, aqueles que vejo sempre tão lampeiros a vociferar contra a morte de meia dúzia de civis num cenário de guerra – e é, evidentemente, triste e lamentável – são os primeiros a calar-se quando se matam prisioneiros, se tratam as mulheres como objectos para satisfação de apetites sexuais ou de violência por serem, de acordo com o Islão, inferiores aos homens, e por aí fora.

Espero que morram muitos. Na verdade, espero que morram todos. E de preferência de maneira dolorosa. Talvez não venha a acontecer, mas a Esperança é sempre a última a morrer, não é?

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By A.J.Ribeiro

Não compreendo, honestamente, o burburinho que se tem gerado à volta da presença da Ministra das Finanças numa conferência com o Ministro das Finanças alemão. Aliás, acho de muito mau gosto as críticas que se têm feito a isso. Senão, vejamos.

O Ministro das Finanças alemão é deficiente. Não mexe as perninhas, anda de cadeira de rodas e tem todo o direito a receber o carinho dos outros europeus. A amizade que Mª Luís Albuquerque tem demonstrado para com ele é apenas uma forma de demonstrar o seu apoio para com as pessoas com deficiência. É bonito e fica-lhe bem.

Depois, não vejo mal nenhum em o senhor mostrar ao mundo a mulher por quem nutre um sentimento profundo. É verdade que a nossa Ministra das Finanças é um pouco … digamos … sem graça, vá lá. Mas nem todas as mulheres podem ser a Audrey Hepburn ou a Infrid Bergman. Há muitas que são como a Maria Luís. A Natureza não é necessariamente justa e a Maria Luís tem que se aguentar à bomboca. Mas é bonita essa manifestação de sentimentos maiores entre a sem graça Maria Luís e o paralítico alemão. Num mundo que só pensa em dinheiro e em empobrecer alguns países, a manifestação de sentimentos tão bonitos é uma coisa que fica bem.

Em terceiro lugar, termos uma mulher nossa conterrânea nas boas graças de um poderoso paralítico. O outro paralítico famoso que conheço, sendo infinitamente mais inteligente do que este alemão, não tem um décimo do poder (apesar de agora lhe terem feito um filme): Stephen Hawking. E isso pode ser muito importante. Imaginem. O alemão está furioso porque o café está frio. A Maria Luís vem, faz-lhe uma massagem no pescoço e sussurra-lhe qualquer coisa ao ouvido. Ele fica satisfeito e diz: ‘Está bem, podes ter mais 3 portugueses da rua‘. Então isso não é uma coisa boa? Não é positivo para Portugal e para os Portugueses.

Em vez de andarmos a dizer mal, acho que deviamos era todos ir a Fátima rezar para que o alemão não troque de óculos e nunca descubra que a Maria Luís não tem piada nenhuma.

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By A.J.Ribeiro

Li uma notícia de que não existem portugueses nos 100 finalistas a candidatos a potenciais colonizadores de Marte.

É uma sorte. Para Marte, claro. E não pensem que estou a ser um malandro anti-patriótico. Estou, antes, a ser realista e a desejar a melhor sorte do Sistema Solar a Marte.

A verdade é que nós somos o povo que somos. Pequenino. De esquemas. Que vive em parte no passado (os poucos que ainda sabem alguma coisa de história) e quase sempre naquele presente que era para ser mas afinal não é por causa do vizinho que me lixou a vida. Nunca, claro, por nossa causa.

Portugueses em Marte era, objectivamente, começar, um dia, mal a colonização daquele planeta. A coisa ía funcionar mais ou menos assim.

O português chegava a Marte e era-lhe atribuída uma qualquer função. A primeira coisa que ele ía tentar fazer era não fazer o que tinha que fazer mas ver se conseguia convencer um dos outros a fazer o que lhe competia a ele. Se conseguisse … fantástico. Se não conseguisse ía-se queixar de falta de solidariedade, de companheirismo, de isto e daquilo e, no fim, provavelmente não faria o que tinha que fazer porque os outros já não o podiam ouvir.

Agora imaginemos que a coisa começava a correr bem e, para azar de Marte e sorte do Tuga era escolhido para mandar em qualquer coisa. Aí a coisa descambava completamente. Primeiro, ía demorar uma eternidade a decidir o que fazer, por uma de várias razões: 1) porque isso ía exigir que trabalhasse; 2) porque tinha que escolher entre os subornos que ía exigir que lhe oferecessem; 3) porque se fosse tudo limpo e eficiente isso ía criar um grave precedente para a próxima vez em que tivesse que fazer alguma coisa. E por isto, nada ía saír dentro do prazo, dentro do orçamento, ou dentro dos parâmetros definidos no início.

E até, quem sabe, um desses portugueses podia ser amigo do Sócrates e, na primeira oportunidade, o preso 44 raspava-se para Marte e aí a coisa ficava mesmo complicada porque não existe, na Terra, nenhum acordo de extradição com Marte e duvido que o preso 44 se metesse num foguetão para voltar à Portela …

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By A.J.Ribeiro

Por aqui pensávamos que as execuções do tipo Inquisição tinham acabado há 300 anos – embora a Inquisição só tenho sido oficialmente extinta, quer em Portugal quer em Espanha, no início do séc. XIX. Afinal não.

Os selvagens islamitas descobriram os encantos dos autos-de-fé e, ontem, queimaram vivo o prisioneiro jordano. Parece-me bem.

E parece-me bem porque qualquer tipo de restrição que pudesse ainda haver em relação a estes criminosos desapareceu da minha cabeça. É verdade que já se tinha, há muito, entrado no campo da selvajaria mas, para os Europeus que tiverem um pouco de cérebro, isto traz um retorno da história que a todos nos envergonha.

Eu sei que há estúpidos que vão sempre argumentar contra isto. Imagino mesmo que aparecerão por aqui estúpidos a fazer comentários em defesa deste bando de selvagens – já nem de bárbaros estamos a falar. Não faz mal. Ficamos a saber que são tão selvagens como os que desenterraram as práticas da Inquisição.

Alguns países – entre os quais Portugal – começaram a adaptar-se a nova realidade. Aumentar a vigilância, a troca de informações e tal. Mais ou menos por aí. É pouco. tenho propostas diferentes. Assim:

1 – Retirar automáticamente a cidadania portuguesa a todos os portugueses que se juntem a grupos terroristas;
2 – Pena única, para quem se juntar a grupos terroristas, de 25 anos de prisão – o máximo em Portugal, julgo eu – sem direito a liberdade condicional;
3 – Expulsão do território nacional após o cumprimento da pena de 25 anos;
4 – Se voltarem a ser apanhados, recomeça o ciclo.

É verdade que não me importava nada de os colocar na roda e garantir-lhes a experiência de um auto de fé no Rossio. Mas como os Estados não devem aplicar a Justiça como vingança, acho que estas medidas seriam um bom primeiro passo para combater, internamente, esta chaga na civilização.

Blogue do autor: Crónicas do Maldizente – António Ribeiro

 

By A.J.Ribeiro

Acho que estamos a assistir a um momento único na história. E não, não estou a falar da morte do Demis Roussos. Estou mesmo a falar do nascimento de uma … vá lá … ordem religiosa. A Ordem dos Só Cretinos.
 
Como não deve ser difícil de perceber, os Só Cretinos são os seguidores de José Sócrates, aquele homem injustamente aprisionado, vítima de perseguição política, odiado apenas porque fez bem. Muito bem. Principalmente a ele, é certo, mas de qualquer das formas fez bem. Por exemplo, os masoquistas fazem mal a eles próprios. E se é certo que não conheço as práticas íntimas de José Sócrates, também é verdade que não me parece, por aquele rosto resplandecente de luz, sinal de uma alma maior, que ele se dedique a essas práticas. Já a ser sádico não tenho tanta certeza, mas até nisso ele tem sido uma alma maior, mostrando-nos que devemos estar gratos já que a nossa vida é bem melhor do que a dos habitantes do Burkina Faso.
 
Vem tudo isto a propósito da romaria que se fez, este fim-de-semana, à jaula – desculpem, prisão – de Évora. Onde a besta (ou era animal?) feroz se encontra presa. Eu sei que há uns quantos maldizentes que acham que estas visitas, na verdade, são uma espécie de circo, mas não lhes devemos ligar importância. Devemos antes, como os seus prosélitos, ver o que em José Sócrates há de maior: as contas bancárias, a edição do livro comprada pelo amigo e o apartamento de €3M comprado em Paris!
 
Estou convencido de que, dentro em pouco, começarão os milagres. E estou certo de que serão muitos: cegos começarão a ver, paralíticos a andar, obesos a ficar fininhos como tudo (é certo que isso pode acontecer por estarem desempregados e não terem dinheiro para comer, mas não sejamos picuinhas) e, no essencial, o mundo a tornar-se um sítio melhor. Basta ver aqueles que vieram de tão longe, para o visitar, e ali, naquele amplo espaço público, logo tentaram linchar um humorista que fazia umas brincadeiras.
 
Não é isto o sinal de que, verdadeiramente, se começa a formar uma seita (desculpem, ordem religiosa)? E de que os amanhãs vão começar a cantar?
 
… por acaso já ouço alguma coisa … hmmm … mas pode ser dos cogumelos, é verdade …

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By A.J.Ribeiro

Julgo que é evidente para todos que as políticas de austeridade são contraproducentes e, sem excepção, não trazem os resultados supostamente pretendidos.

Nas disciplinas de introdução à economia aprende-se uma coisa simples: a massa monetária em circulação é fundamental para o desenvolvimento económico. Daqui resulta que mais liquidez significa mais capacidade para investir, criar emprego e crescer, menos liquidez significa menos capacidade para investir, menos emprego e menos crescimento. É evidente que a massa monetária em circulação tem que ser mantida dentro de limites pré-definidos para não se entrar no campo da inflação descontrolada – como o Brasil dos anos 70 e 80, mas, ainda assim, é necessário existir um processo inflacionário ligeiro que potencía o tal crescimento e desenvolvimento.

Estas coisas, que se aprendem no B-A-BA da economia são, curiosamente, escamoteadas quando se chega ao patamar em que se trata, na realidade, do desenvolvimento dos países.

E este escamoteio não é inocente.

O Syriza – li há pouco – suspendeu os processos de privatização em curso na Grécia. Pareceu-me bem. Privatizar a energia, as comunicações e por aí fora, deixando o Estado de ter uma palavra a dizer sobre o assunto, só pode levar a maus resultados. Nomeadamente, à dependência do Estado face a interesses particulares. E o Estado não pode estar dependente de interesses particulares. A função do Estado é garantir o bem estar da comunidade, não é garantir que meia dúzia de pessoas e interesses controlam a vida, de maneira abusiva, de todas as outras.

Em Portugal, Passos Coelho, uma espécie de mordomo de interesses que não os do País – aliás na linha de outros governos, que nisto o chamado centrão é igual – fez exactamente o contrário: privatizou tudo. Hoje, o Estado português deixou de ter uma palavra a dizer sobre aquilo que se faz no seu próprio território: não controla a energia, nem os combustíveis, nem as comunicações e tem feito um esforço titânico para acabar com a Segurança Social, com a Saúde Pública e com a Educação Pública.

Pelo contrário, manteve os contractos das PPPs – criados por Sócrates para proveito dos amigos, as subvenções à EDP, ignora a cartelização do mercado dos combustíveis, manteve os milhares de Institutos que servem, apenas, para dar emprego aos empregados do partido, esforça-se por mandar embora funcionários que serão substituídos por mais empregados do partido – vejo isso todos os dias no sítio onde trabalho, reduz paulatinamente os direitos sociais e laborais com a argumentação de que em tempos de crise se tem que abdicar de algumas coisas mas essas coisas são sempre as mesmas, dos mesmos.

Na verdade, as políticas de austeridade têm servido, apenas, para a redução da qualidade de vida das pessoas. Uma boa qualidade de vida, com boa educação e por aí fora tornam os povos mais críticos e exigentes e, consequentemente, menos disponíveis para aturar cliques partidárias incompetentes e corruptas. Cavaco bem sabia disso. Por isso foi o homem que começou a desmontar o sistema social português.

Espero que os gregos tenham sucesso no caminho que se propõem seguir. E se a coisa começar a resultar, que se estenda a Espanha. Por cá não tenho tanta esperança. Nós estamos mais preocupados com o futebol …

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By A.J.Ribeiro

A expectável vitória o Syriza, na Grécia, tem o potencial para abrir novos caminhos na Europa. Reparem que digo ‘potencial’ e que não afirmo categoricamente que o vai fazer.

A coisa é simples. O poder corrompe, como se sabe, e a não ser que os membros do futuro governo sejam seres extradimensionais, tenho para mim que o Syriza, no poder, será menos revolucionário do que na campanha.
De qualquer das formas a vitória do Syriza parece-me positiva por diversas razões.

Primeiro, porque mostrou que o Povo ainda é “quem mais ordena” e que os gregos se estiveram positivamente a borrifar para as pressões daqueles que, primeiro, os deixaram seguir o caminho de desperdício que seguiram – e a esta distância, parece que até foi de propósito – para depois lhes dizerem que eram uns irresponsáveis e que passavam a ter que viver na rua. Nós por aqui queixamo-nos, mas na Grécia quase 1 em cada 3 gregos está desempregado. É um bocadinho … digamos … diferente.

Segundo, porque a decisão dos gregos tem o condão de abanar a estrutura financeira europeia. Ontem à noite, nas praças que abriram no Oriente, o Euro já estava em queda. É claro que isso é bom. É bom, porque um euro muito valorizado é um entrave a economias, como a nossa, que precisam de recuperar, principalmente através da exportação. Depois, porque isso torna as importações mais caras e, portanto, é um incentivo à criação de uma estrutura produtiva. Que desapareceu em Portugal como também desapareceu na Grécia.

Em terceiro lugar, porque se o Syriza conseguir renegociar a dívida – ou parte dela – é uma porta aberta para outros – como nós – que podem suavizar esse mesmo pagamento, deixando mais dinheiro disponível para investimento interno.

Em quarto lugar, a vitória do Syriza pode potenciar coisas estranhas em Espanha, com o ‘Podemos’. Na verdade, pode ter dado início a um carrossel no Sul da Europa.

E em quinto lugar – a mais importante – porque a vitória do Syriza irrita a Chanceler Merkel. E irritar a Merkel é uma coisa boa. Alivia-nos a alma. É como começar a semana não na 2ª feira mas logo na 6ª. Assim uma espécie de balada que nos embala a alma. Saber que, ao contrário do Coelho, os gregos decidiram irritar a Merkel já me fez ganhar o dia. A semana, mesmo.

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By A.J.Ribeiro

Ontem estive no Centro Engº Álvaro de Sousa, no Monte Estoril, a participar numa tertúlia sobre o romance ‘Flavea‘, que publiquei há quase um ano.

O Centro ocupa um edifício magnífico, com uma decoração Art Deco muito bonita e jardins que me lembraram, imediatamente, os jardins da Quinta da Regaleira. Funcionando como um centro de dia para pessoas mais velhas pode parecer tudo menos isso mesmo. Na verdade, a actividade existente no Centro é de tal forma intensa que me pergunto quanta gente com menos idade aguentaria o ritmo. Desde aulas de línguas – incluindo Persa! – a todo um leque de actividades ligadas às artes e à cultura, passando pelas tecnologias e diversas actividades recreativas, como um grupo de fado.

À apresentação que fiz, que deve ter durado mais um menos 15 minutos, seguiu-se um intenso debate sobre os temas do romance. De tal forma intenso, variado e participado que, a certa altura, se debatia hipnose, filosofias orientais, experiências pessoais, perspectivas religiosas e por aí fora, num debate aberto entre pessoas que, claramente, tinham diversas crenças ou a falta delas.

Definitivamente, a idade não é um limite para a aprendizagem, para o debate e para a troca, frutuosa, de ideias e experiências. Independentemente das convicções de cada um. Ou, se calhar, exactamente por causa das convicções de cada um.

Foi uma grande experiência para mim. E deixou-me a pensar se, daqui a 30 anos (se ainda por cá andar, claro), estarei activo como as pessoas que conheci ontem.

Ah, é verdade. E se calhar ainda vou aprender a jogar Bridge …

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By A.J.Ribeiro

Não tenho nenhum tipo de simpatia pela extrema-esquerda. Também não tenho nenhum tipo de simpatia pela extrema-direita. Costuma-se dizer que os extremos se tocam e a verdade é que são duas faces da mesma moeda: uma moeda abusadora, castrante e atrasada.

Por outro lado, tenho uma grande simpatia pelas escolhas do povo. Independentemente de serem ou não as minhas. Porque como sou povo, as escolhas respeitadas do povo são as minhas escolhas … respeitadas. É assim que deve funcionar a Democracia.

Pensava eu – esta pessoa inocente que vocês conhecem – que a fase da falta de respeito pelas decisões de um povo tinha passado, pelo menos por estas bandas. Para meu espanto, não passaram.

A pressão feita sobre a Grécia por vários países Europeus por causa da possibilidade – cada vez maior – de o Syriza – partido conotado com a esquerda mais radical – ganhar as eleições na Grécia tem sido uma coisa que me mete nojo.

Primeiro, porque é uma total e completa falta de respeito pelo direito de os gregos escolherem livremente os seus governantes. Segundo, porque é uma intromissão inadmissível nos assuntos internos da Grécia quando são tão ciosos na salvaguarda dos seus próprios assuntos internos (vão lá tentar interferir nos assuntos da Srª Merkel que ela logo vos diz …). Terceiro, é o sinal evidente de que o tempo dos Estados iguais na Europa já passou e que alguns assumem agora aquilo que, provavelmente, sempre acharam: que são melhores do que outros.

A Grécia foi ameaçada com a saída do Euro. Por acaso acho que o melhor que poderia acontecer à Grécia seria a saída do Euro. O controlo da sua própria moeda teria, muito provavelmente, impedido que a situação dos gregos chegasse à situação miserável a que chegou e teria possibilitado que o país, pela desvalorização monetária, desse um impulso à recuperação da sua economia.

Não tenho nenhuma simpatia por radicalismos. Mas estou aqui a torcer para que os gregos se borrifem naqueles que só os têm lixado e elejam o Syriza. Depois, vamos ver se a música, afinal, sempre toca diferente ou não.

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By A.J.Ribeiro

Estamos hoje colocados perante desafios que parecem ultrapassar a nossa capacidade de os resolver. Refiro-me aos desafios que enfrentamos na Europa.
 
Por um lado, anos de displicência levaram a um caos social em que todos acham que têm direito a tudo e não têm obrigação de nada. O Estado Social, nascido no pós-II Guerra Mundial e o pilar da criação de uma Europa mais rica e mais solidária, foi transformado, lentamente, no Estado do Aguenta Tudo. Hoje, claramente, os restos do Estado Social não conseguem aguentar tudo até porque, nos últimos vinte anos, foi minado por uma elite neoliberal que se tem esforçado por falir esse mesmo Estado Social. Olhando para trás, o pior que nos podia ter acontecido, deste lado de cá da Europa, foi o fim da União Soviética. Afinal, como se costuma dizer, quem tem cú tem medo e o bloco comunista impunha muito respeito.
Ao mesmo tempo, as divisões entre os Europeus vieram ao de cima, mostrando que continuamos, todos, a viver no passado. Ainda ninguém parece ter percebido que só teríamos hipóteses de nos safar no Séc. XXI se estivéssemos unidos. Ou seja, se criássemos mesmo um Estado Europeu. Quando olhamos para a realidade que se forma, só dá vontade de rir ao percebermos que qualquer dos antigos grandes estados europeus acha que consegue sobreviver hoje. Acho que não estão a ver bem a coisa. A dimensão geográfica e populacional é de tal ordem grande nas potências emergentes deste século que qualquer país europeu é um anão por comparação. Basta pensarmos nas dimensões quase continentais de países como a China, a Rússia, a Índia, a África do Sul, o Brasil, a Austrália ou a Indonésia para se perceber que a Grã-Bretanha, a Alemanha ou a França são insignificantes por comparação. E enquanto esses países crescem, resultado dos recursos e dimensão que têm, nós vamos encolhendo e lutando uns com os outros.
 
Tudo o resto: terrorismo ou tráficos da mais diversa índole, apenas para citar dois casos, são o resultado desta indefinição europeia quanto ao nosso futuro.
E olhando para o rumo que as coisas seguem, receio verdadeiramente que isto não acabe bem.

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