Sociedade

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por João Távora, em 21.03.16

 (…) Se o potencial corrupto é “um dos nossos” trata-se invariavelmente de uma cabala; se o potencial corrupto é um adversário político, deve ser linchado. Este maniqueísmo, que corrompe a inteligência, está espalhado na sociedade e atravessa todos os quadrantes políticos. É evidente que vive da enorme tolerância com que, tanto em Portugal como no Brasil, as elites convivem com o fenómeno da corrupção.

Em Portugal, o caso Sócrates foi exemplar a este respeito. (…)

Ana Sá Lopes sem papas na Lingua hoje no Jornal i 

 

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por Vasco M. Rosa, em 18.03.16

Curiosa, sem dúvida, a agilidade do ministro João Soares, que passa parte da semana na estrada participando em eventos de maior ou menor relevância. Há dias assistiu no Museu das Janelas Verdes à doacção dum príncipe estrangeiro para viabilizar a compra dum quadro de Domingos Sequeira, cuja entrada no museu depende da generosidade privada. Hoje estará na Misericórdia do Porto, celebrando a aquisição em Nova Iorque dum quadro de Josefa de Óbidos por aquela instituição.   

Não sei se a gasolina está muito barata ou quanto pesam os encargos duma comitiva, por reduzida que seja, mas acredito que, ao fim de alguns meses, esse «ministério aberto» acumule gastos apreciáveis e que, além disso, o sr. ministro tenha muito que fazer no seu escritório. E não me refiro à «engenharia financeira» para compra dos famigerados Mirós…

Será melhor governo aquele que não se vê mas faz, ou aquele que se vê muito mas pouco faz?

Ainda assim: veremos se o sr. ministro da cultura aproveita esta ida ao Porto (no sábado passado esteve perto, em Guimarães) para visitar na galeria municipal a exposição-homenagem a Paulo Cunha e Silva. Não lhe ficaria mal.

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por João Távora, em 20.03.16

“De uma assentada, o Costa conseguiu que o BPI passasse para a mão dos espanhóis e em troca entregou o BCP aos angolanos. Isto depois de ter dado o Banif ao Santander! É assim que se defende o “interesse nacional”? Só num país de brincadeira se fazem estas trocas e baldrocas sem que haja escrutínio mediático, e sem que a opinião pública tenha opinião.”

Comentário anónimo ao post “Regresso ao Paternalismo” da Maria Teixeira Alves 

 

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Continuamos a ser o pequeno David vivido entre dois vizinhos gigantes. Mas o David, Rei de Israel que eu conheço, era um simples pastor que soube esperar o tempo. Um guerreiro que sabe de onde vem e para onde quer ir. Eu penso que a história de pequeno David e gigante Golias está repleta de lições para nós. Que cada vitória conquistada seja para glória colectiva e não para nós mesmos.

 

Em todo o caso, é preciso encontrar urgentemente uma solução para o equilíbrio entre o “poder carismático-político e o poder técnico-racional”. Caso contrário, o nosso sistema de governação não se adapta nunca à democracia que sempre queremos para este país. Tenho-o dito desde há muito tempo que o processo de transição de liderança foi precisamente para encontrar uma solução para o Governo, não um Governo de solução para os problemas do país! Temos um Governo inspirado em geração nova liderado por um grande homem chamado Dr. Rui Araújo mas quando não se tem equipa não se pode fazer milagres!

 

Timor-leste não é um país difícil de governar. Tenho, por vezes, algumas dúvidas sobre como os representantes do país exercem as suas competências. Há uma grande discrepância entre capacidade de criar ideias e competência de implementar ideias. O perigo de insucesso da governação mora aqui. Os Partidos têm de estar à altura do desafio. Se não têm, é e será uma desgraça! Porque para governar, não basta ter sentido de politiqueiro, é preciso estar preparado.

 

A actual crise é fruto disso. Temos dificuldades de nos adaptar ao processo evolutivo da globalização. Quando decidimos desafiar os nossos limites, tínhamos consciência de que a única forma de ultrapassar estes obstáculos era estar unidos e ter uma cultura de compromisso em função da realidade. Estamos em desvantagem sob o ponto de vista social e económico no contexto regional! Há um ditado que diz: “podes escolher amigos mas não podes escolher vizinhos”.

 

O país está numa fase em que o “jogo de passa culpas” tem de acabar e dar espaço ao diálogo reflectindo sobre o porquê de nós não conseguimos sair do ciclo de impasse. A origem da crise está muito mais atrás. E está fortemente associada à justiça e de confiança nas instituições do Estado. Há um aumento de indignação e de desconfiança sobre o nosso sistema judiciário que é um pilar e um espelho da nossa democracia, uma referência ético-politica de um Estado de Direito. Temos um Ministro da Justiça que não está à altura do desafio continuando a não encontrar as medidas necessárias para tornar o sector da justiça mais transparente e independente. Ora, isto, naturalmente, coloca em causa o normal funcionamento das instituições do Estado em especial a própria democracia!

 

O futuro Governo terá que ser um defensor da boa governação, que saiba representar da melhor forma o sistema da governação, um sistema em prol do Estado social.

 

Se não for por este caminho, então estamos diante de um sistema anti-social e teremos que desobedecer porque ninguém é escravo da sua própria lei.

 

Este Estado não pode gerir e ser administrado por mãos invisíveis. Para tal, temos que encontrar um Governo de solução.

 

Dada a actual conjuntura política, sobretudo os comportamentos dos eleitores, creio que a formação do futuro Governo passará por entendimentos em diferentes níveis entre a liderança histórica. Uma transição saudável passará por uma liderança de consenso que reúna condições para decidir e ter coragem para implementar a política de reforma. A começar pelas reformas estruturais.

 

Tenho dito.

 

15 Mar 2016

 

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António Guterres

 

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De João. a 17.03.2016 às 16:21

Quer mais terceiro-mundo. O juiz que hoje deferiu uma liminar para impedir Lula ser ministro da Casa Civil participou em manifestações contra Dilma, tem uma história de comentários contra Dilma e Lula nas redes sociais.

A justiça está a agir fora dos limites do Estado de Direito. Isto é o terceiro mundismo da oposição.

Em sua página oficial do Facebook, o juiz publica diversas manifestações contra o PT e convoca as pessoas a saírem às ruas contra o governo da presidenta Dilma Rousseff. Frases como “Hora de lavar a bandeira, que não fique uma só mancha vermelha”, “Liberté, Fratenité e Fora Peté”, “Ajude a derrubar Dilma e volte a viajar para Miami e Orlando. Se ela cair, o dólar cai junto” são algumas das postagens. Logo depois que foi noticiada sua decisão contra a posse de Lula, a página de Facebook foi bloqueada e diversas fanpages do juiz foram criadas na rede social.”


http://brasileiros.com.br/2016/03/juiz-q ue-suspende-posse-de-lula-como-ministro-p ede-ajuda-para-derrubar-dilma-no-faceboo k/

 

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por Vasco M. Rosa, em 16.03.16

Seria bom que, por cá, se distinguisse — duma vez por todas! — o que foi (e já não é) um cantor de talento e um cúmplice de política e propaganda ruins.

A velha oligarquia agora sob um manto só aparentemente justo; e pouco mais….

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partilhou a foto de Marciano Brito.
Ontem às 14:53 ·

perceber o Brasil…


Marciano Brito‎ para Corrupção é com a PRIVATARIA TUCANA
17/3 às 13:37 ·

Percebeu a diferença? Bora maioria. Povo brasileiro.

 

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Ataques aéreos na Síria matam “dezenas de civis”

AGÊNCIAS

19/03/2016 – 14:45

Observatório Sírio dos Direitos Humanos diz que raides sobre territórios controlados pelo Estado Islâmico mataram pelo menos 39 civis.O Estado Islâmico controla territórios no Norte da Síria, onde se localiza a cidade de Raqqa, alvo dos raides deste sábadoREUTERS




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Apesar do cessar-fogo, em vigor desde há três semanas, e da retirada parcial da aviação russa, anunciada esta semana, a Síria continua a contabilizar baixas civis em batalhas armadas. Neste sábado, 39 pessoas terão morrido, incluindo sete mulheres e cinco crianças, segundo dados avançados pelo Observatório Sírio dos Direitos Humanos, uma organização não-governamental sediada em Lodres.

Na semana em que se assinalaram os cinco anos do início do conflito sírio, que começou com uma revolta contra o regime de Bashar al-Assad, o número de vítimas civis continua a engrossar. Segundo as agências Reuters e AFP, as baixas registadas neste sábado devem-se a raides aéreos levados a cabo nos subúrbios da cidade de Raqqa, territórios situados no Norte da Síria e controlados pelo Estado Islâmico.

O cessar-fogo, em vigor numa altura em que decorrem conversações de paz, não incluem alvos estratégicos dos grupos terroristas da Al-Qaeda ou do Estado Islâmico (EI) e Raqqa é, de facto, a capital destes jihadistas. Em simultâneo com os ataques do regime , que continua a contar com algum apoio militar da aviação russa, com o objectivo de enfraquecer o EI e levar reforços de Raqqa para a cidade antiga de Palmira, na região Centro do país, foram conduzidos cerca de 70 ataques aéreos à volta de Palmira, também dominada pelo EI. Segundo o director daquele observatório, citado pela AFP, terão morrido 18 jihadistas….

 

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por João Távora, em 16.03.16

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A chegada de Assunção Cristas à liderança do CDS enche de expectativa uma Nação desgastada e desiludida que clama por uma renovação significativa no estilo e no discurso político, e que há muito entendeu não ser possível um “tempo novo” com os problemas e vícios antigos. Assunção Cristas traz para o espectro político um perfil inédito que possui um profundo significado: uma mulher inteira, jovem mãe de família que não prescinde dum brilho próprio muito feminino, alguém que emergiu para a vida partidária pelos seus méritos profissionais, pela determinação e inteligência com que defendia as causas em que acredita, mesmo que contra o discurso do politicamente correcto. Sem vergonha das suas convicções humanistas e católicas, com um discurso fluente e afectuoso, ela conseguiu unir o partido e rodear-se de uma jovem e renovada equipa, cujo génio e capacidade de trabalho esperam-se reflectidos quanto antes num dinamismo de propostas e ideias que catapultem o CDS para um novo patamar de afirmação, urgente, tendo em conta os dramáticos desafios que esperam os portugueses. Para já Assunção irradia um atraente sorriso de esperança, que não é coisa pouca na política dos nossos dias.

Publicado originalmente no Diário Económico

 

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por Maria Teixeira Alves, em 19.03.16

Ao ler a notícia do Expresso de que Isabel dos Santos foi a São Bento, falar com o primeiro-ministro António Costa para este lhe dizer que apoiava a sua entrada no capital do BCP – um encontro que terá tido como objectivo pôr fim à longa contenda que existe entre a empresária angolana e o BPI onde tem 18,6% directamente – lembrei-me dos velhos tempos. Isto é que é a tradição nacional. O pai Estado resolve. Pois com este encontro António Costa pretende resolver o impasse negocial entre os accionistas do BPI. 

A isto associa-se o facto de ter já havido um envolvimento político do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, apelando à oposição com a espanholização da banca portuguesa. Segundo o Expresso, o Presidente está concertado com o primeiro-ministro e o governador do Banco de Portugal, para diversificar as fontes de capital accionistas dos bancos. António Costa surge com um papel activo de exercicio de uma magistratura de influência não oficial para que os accionistas espanhol e angolano do BPI dessem gás a um entendimento.

Esta é pois mais um sinal do regresso da velha ordem. A ordem em que o Estado ajudava os grandes grupos.

Esta coisa de: “o primeiro-ministro, António Costa, chamou a si este dossiê. E o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, mostrou preocupação” é já o sinal de um regresso ao passado. Aliás o PSD já veio questionar o Governo sobre a alegada intervenção em negócios da banca com Isabel dos Santos.

Estamos de volta ao velho paternalismo do Estado, que remonta ao Estado Novo, e que não morreu com o tempo, pelo contrário. Não admira que uma sociedade que não consegue sem esse paternalismo nutra ódios profundos por Vítor Gaspar, Maria Luís Albuquerque e Pedro Passos Coelho.

 

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GERINGONÇA

Vários cronistas, sobretudo de esquerda, escreveram e disseram que Pedro Passos Coelho não deveria ter-se recandidatado à liderança do PSD após a “derrota” de 4 de Outubro – e apontam o exemplo de Paulo Portas, que se afastou do CDS.

 

Esta opinião enferma de dois problemas.

Em primeiro lugar, não é desinteressada.

Quando pessoas de esquerda dizem que Passos Coelho deveria sair, é obviamente porque acham que isso fragilizaria o seu partido.

O interesse dessas pessoas não é com certeza que o PSD se fortaleça…

E assim, os apelos à saída de Passos acabaram por beneficiá-lo – pois ninguém no seu juízo perfeito segue os conselhos dos adversários.

Em segundo lugar, Passos Coelho não ‘perdeu’ as eleições legislativas: ganhou-as.

Foi mesmo um dos raros líderes em todo o mundo que venceram eleições depois de terem prosseguido duras políticas de austeridade.

Argumenta-se que a maioria dos eleitores votou ‘contra’ a coligação PSD-CDS.

Ora, isso não é verdade.

Nas eleições legislativas não se vota ‘contra’ isto ou aquilo – vota-se ‘a favor’ disto ou daquilo.

Nos referendos é que se vota ‘sim’ ou ‘não’.

Nas legislativas, o princípio é outro: vota-se em partidos políticos e em programas – e, de caminho, no líder partidário que se deseja para primeiro-ministro.

Ora, em nenhum desses planos a direita perdeu: a força política vencedora foi a PàF, o partido que conquistou mais deputados foi o PSD e o líder com mais votos foi Passos Coelho.

Dizer uma coisa diferente é abusivo e pouco sério.

A afirmação de que das eleições saiu uma maioria de esquerda também não é verdadeira.

O que se diria, por exemplo, se o PS se tivesse aliado ao PSD e fizesse um bloco central?

Dir-se-ia, com toda a legitimidade, que o centro ganhou as eleições…

E até teria uma percentagem bem maior do que a actual ‘maioria de esquerda’.

A artimanha de dizer que a esquerda ganhou foi inventada para permitir a António Costa ser primeiro-ministro e permitir ao Bloco de Esquerda e ao Partido Comunista ganharem influência governativa.

Num bloco central, António Costa não seria primeiro-ministro (seria Passos Coelho) e o PCP e o BE seriam perfeitamente irrelevantes.

Argumentam, finalmente, os comentadores ligados à esquerda que esta coligação vai durar quatro anos, até porque convém aos três partidos que a sustentam.

Isso é parcialmente verdade.

Enquanto as questões forem políticas, a coligação irá tapando os buracos e fugindo para a frente, como tem vindo a fazer.

Só que o principal problema desta maioria não é a política – é o Orçamento.

Quando passarmos do terreno das palavras para o terreno dos números, a habilidade política já não valerá de nada.

Quando se começar a perceber que o Orçamento não é cumprível – e Bruxelas já o percebeu –, quando os parceiros europeus apertarem ainda mais o cerco, quando os parafusos da geringonça começarem todos a ranger, não haverá artifícios que valham.

Repito: o Governo não cairá por razões políticas mas por razões económicas e financeiras.

E, quando a geringonça se desconjuntar, o poder acabará no colo de Passos Coelho.

É por isso que a esquerda o quer afastar.

A esquerda sabe que, pela imagem de responsabilidade que construiu, Passos Coelho é o líder mais bem posicionado para suceder a este desvario esquerdista.

A sua simples presença paira como um fantasma sobre o Governo.

Olha-se para ele e parece que ainda está ali o primeiro-ministro.

E depois, se ganhou as eleições com quase 39% após quatro anos de austeridade, que percentagem terá se este Governo cair prematuramente?

Dificilmente deixará de ter maioria absoluta.

Até porque, nessa altura, estará provado que a ‘alternativa’ à política que vinha a ser seguida por ele era uma miragem.

Julgo que o grande problema de Passos Coelho não será, pois, voltar a S. Bento – mas sim o que fazer para remediar os estragos feitos por esta maioria desconexa.

António Costa tem vindo a destruir tudo o que o Governo de Passos Coelho fez.

Até mete dó.

Como os talibãs, a maioria de esquerda, depois de tomar o poder, começou a derrubar implacavelmente o que estava feito, não deixando pedra sobre pedra.

Ora, quando voltar a ser primeiro-ministro, Passos Coelho terá o mesmo comportamento?

Espero que não.

Espero que tenha uma atitude mais civilizada.

Portugal não pode estar sempre, desgraçadamente, a voltar ao princípio.

Portugal tem de definir um rumo e segui-lo com firmeza.

  • A palavra ‘geringonça’, usada por Vasco Pulido Valente (e popularizada por Paulo Portas) para designar esta solução de Governo, já era usada no século XIX, embora o sentido não fosse bem o mesmo. Escrevia Ramalho Ortigão, n’As Farpas, em Janeiro de 1874: “Esta retórica trôpega, relaxada e senil dos deputados, não podendo criar uma língua forte e digna, deu o ser a um estilo especial de malandragem política, fez a gíria constitucional, a geringonça parlamentar, o calão burguês”.

14/03/2016

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 José António Saraiva

Observador

 

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DA CHINA…

 

Que a China tem uma cultura milenar, ninguém sabe de quantos milénios, é verdade e não se discute.

 

Para nós, incultos ocidentais, orgulhosos ou soberbos da herança greco-romana, que impusemos os grilhões em todo o canto do mundo, um dia temos que despertar para a imensa cultura de outros povos, mesmo aqueles que durante séculos não nos mereceram mais que desprezo.

 

Hoje, um pequeno passeio pela China.

 

Alguém sabe o que significam estes símbolos?

 

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Reparem bem que o terceiro tem a mistura dos dois primeiros.

 

Vamos ver como no decorrer do tempo, os chineses, com sua tranquila sabedoria, conseguiram transmitir as suas ideias e mensagens com umas “garatujas” (garatujas para nós) que além de inteligíveis, para eles, são bonitas, decorativas.

 

Uma das mais antigas formas de religiosidade chinesa teria sido o culto dos antepassados. Confúcio fez da devoção filial a base da sua filosofia, uma devoção tão rígida que levava alguns discípulos a ponto de esquecerem o seu próprio espírito. Alguns livros escritos há mais de três mil anos – Shijing, Shangshu, Kanggao, Zuo Zhuan, entre outros – contêm impressionantes cenas de devoção filial, como o caso de alguns filhos preferirem morrer a não satisfazer as exigências de seus pais. Todas as histórias levam a concluir que existia uma obediência cega aos progenitores.

 

Um dos exemplos mais antigos, tirado do livro Hou Huanshu (talvez do século IV d.C.) conta a história de um alto funcionário que, para poder cuidar de sua mãe, não tem interes­se pessoal algum na glória que tal cargo pode proporcionar-lhe. Outra, textual: “À época do Imperador An (ano 107 ao 126) vivia em Runan (Henan do Sul) um homem chamado Xue Bao… Estudio­so e sincero, que quando sua mãe morreu se tornou célebre pelo exemplar amor filial de que deu mostras durante o período de luto. Seu pai vol­tou a casar-se e sua esposa, que odiava profun­damente Xue Bao, expulsou-o de casa. Mas ele chorava dia e noite, incapaz de ir-se, até que, golpeando-o com um bastão, obriga­ram-no a alojar-se numa cabana nas proximi­dades. Todas as manhãs Xue Bao vinha varrer o pó da casa de seu pai, até que este, irritado, o ex­pulsou de novo. Xue Bao estabeleceu-se, então, numa outra cabana perto da entrada da pro­priedade, sem jamais deixar de ir saudar seus pais à tarde e pela manhã. Após um ano ou mais, estes sentiram-se envergonhados e fi­zeram-no regressar. Mais tarde, quando morreram seu pai e sua madrasta, Xue Bao duplicou ou até triplicou seu período de luto.”

 

Xue Bao é um exemplo característico dos fi­lhos virtuosos mencionados nos textos daquele período. Na realidade, o seu comportamento parece quase normal se comparado com os de outros dois personagens similares que enchem as páginas do Hou Hanshu.

 

Vemos, por exemplo, crianças de quatro anos de idade que se negam a comer e beber quando seus pais estão doentes, ou de um ho­mem que “não comeu carne nem bebeu vinho durante 10 anos depois que seu pai morreu e no aniversário de sua morte ele celebrava jejuando por três dias”.

 

Alguns exemplos são ainda mais surpreendentes, como o de Yang Zhen (morto em 124), descendente de uma das famílias fun­dadoras da dinastia Han que, sendo muito jo­vem, preferiu tornar-se professor para poder manter-se afastado da vida política. “Órfão e pobre desde a juventude, vivia so­zinho com sua mãe. Ele havia arrendado uma porção de terra para cultivar e obter assim o seu sustento. Certa vez, um de seus alunos tentou ajudá-lo a plantar couves, porém Yang Zhen arrancava-as e ia plantá-las de novo um pouco mais adiante. Os vizinhos citavam-no como um exemplo de devoção filial.” Acreditem ou não, a devoção filial de Yang Zhen está demonstrada pela insistência do personagem em que as couves que sua mãe comeria fossem plantadas pelas mãos do próprio filho!

 

O cultivo de couves é uma demonstração bastante inofensiva dos sentimentos filiais, porém há numerosos exemplos até de mortes causadas por um desejo de dar mostras irrefutáveis de ve­neração filial. O exemplo mais famoso é o da jovem Cao E, que vivia em Zhejiang, não muito longe da actual cidade de Shaoxing. Seu pai era um xamã (wu) que se afogou no quinto dia do quinto mês lunar (6 de Junho) do ano 143, enquanto celebrava o culto do Deus das Ondas (possível deificação do movimento das marés). “O corpo não foi encontrado; sua filha Cao E, que tinha na época 13 anos, percorria o rio noite e dia gemendo e chorando sem cessar. Sete di­as depois ela se lançou também ao rio e se afogou.”

 

Em Sichuan, do outro lado da China, mais um exemplo de amor filial. Uma outra menina, de nome Shuxian Xiong (ou Shu Xianluo), lançou-se às águas no local onde seu pai se havia afundado e foi achada seis dias depois flu­tuando entrelaçada ao corpo do pai. Citemos ainda o caso de Jiang Shi que se afogou por se ha­ver arriscado demasiadamente ao entrar no rio para buscar água para sua mãe que tinha pre­ferência pela água do rio em vez da de poço.

 

As histórias do Hou Hanshu – assim como toda a história da China – estão cheias de exemplos de abnegação, milagres, sacrifí­cios e perseguições cruéis (geralmente da parte de sogras e madrastas) que são tolerados com uma resignação extática, suicídios inúteis, sem falar de manifestações extraordinárias de amor entre irmãos que se negam a separar-se mesmo que seja para dormirem com suas respectivas mulheres, excepto quando se trata de assegurar a descendência.

 

Como devemos considerar estes actos insóli­tos? Não se trata na verdade de acções que se as­semelham muito ao comportamento dos santos do cristianismo antigo e medieval? Mortificações, beijos em leprosos, jejuns purificadores e outros actos no mesmo estilo nunca foram consi­derados suficientes para provar o amor e a adoração dos santos pelo seu criador. Não es­taríamos diante de um fenómeno similar? A concepção chinesa do mundo, como se tem apontado frequentemente, é muito mais terra-a-terra que a dos ocidentais; a China sempre preferiu a imanência à transcendência e quando um chinês eleva o seu espírito ao criador, nega-se a dar o salto metafísico julgado normal pelos ocidentais e volta-se para aqueles que são seus verdadeiros criadores de carne e osso, ou seja, seus pais.

 

O Livro Da Devoção Filial (Xiaojing), um opúsculo medíocre datado provavelmente do fim da Antiguidade ou do começo da era im­perial e que gozou de grande prestígio durante toda a história da China, reafirma o que disse­mos quase textualmente. No capítulo 9 lê-se: “Não há maior forma de venerar seu pai do que fazê-lo intermediário dos céus.”

A palavra em­pregada para significar intermediário (peï), as­sim como o contexto, demonstram que os au­tores do Xiaojing se referem às mais antigas práticas religiosas chinesas de que temos notí­cia: os sacrifícios oferecidos aos ancestrais que, como intermediários, apresentavam ao céu os pedidos de seus descendentes e intercediam em seu favor. Há aí uma concepção mística con­ferida ao pai: a de associá-lo, se não a Deus, pelo menos a uma representação da divindade. Como vemos, os chineses não estão longe de deificarem seus pais; seu comportamento tra­duz simplesmente um esforço, que se encontra também entre os ocidentais, de irem além de si mesmos para glorificar seus criadores, que para eles são, literalmente, seus pais e mães.

 

Voltemos aos ideogramas. Como eles “nasceram. Veja-se na figura abaixo a evolução dum ancião uma criança e os dois juntos, e reparem, novamente, como a terceira figura é a mistura das duas primeiras.

 

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Como se vê os chineses têm muito que nos ensinar. E coisas bonitas.

Sobretudo a mim, que nada sei de chinês, mas encontrei este trabalho de que fiz um resumo que espero não desgostem.

 

12/02/2016

 

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Francisco Gomes de Amorim

 

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Todos viram na televisão mas para o Governo nada foi. Dezenas e dezenas de tractores, milhares de pessoas, uma parcela do trabalho minhoto ainda muito significativa. Não eram sindicalistas, eram gente que vive do seu labor e sabe muito bem onde foi e vai.

Basta andar cá por cima e ouvir as conversas. Se a chave  do problema está no incremento do consumo – pois que se consuma, os produtores estão aí e os produtos também.

Evidentemente, os nossos agricultores não desconhecem (e os suinicultores também…) o público procura o que mais lhe convém à bolsa. Os preços da produção nacional não são competitivos em razão dos custos inevitavelmente mais elevados. Por causa – agora agravada por via tributária – de alguns factores essenciais como os combustíveis.

De modo que a lavoura minhota pôs ontem o dedo na ferida: o apelo aos consumidores vai ficar em águas de bacalhau, disso ninguém duvida; e Capoulas dos Santos, em Bruxelas trouxe (e continuará a trazer) zero da sua capoulice.

Moral da história: consumir mais, sim, mas a nossa produção. E esta, para estar à altura, tem de baixar os seus custos. Urge renovar, investir, portanto. E sem agravos fiscais na aquisição dos meios necessáriosao processo produtivo.

Aguardemos os capítulos seguintes desta novela.

 

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FORAM ESSAS NINFAS…

 P. António Vieira, SJ.png

… acobreadas púbio-alopécicas vivendo em pleno naturismo que por certo impediram António Vieira de subir aos altares mas as sofisticadas industânicas nos seus coloridos saris não tiveram as artes capazes de obstar a essa ascensão a Francisco Xavier.

 

E se Vieira terçou a verve em defesa dos inocentes desnudos perambulando pelo paraíso verde das Índias Ocidentais, foi Xavier que pediu ao Rei que enviasse o inferno inquisitorial para as Índias Orientais.

 

Então, a bondade perdeu os ossos nalguma vala anónima esquecida algures por ali próxima do prosaico Elevador Lacerda ligando o mercado de escravos às alturas da benesse divina destinada aos inocentes ocidentais, na Sé de Salvador da Bahia, mas o promotor do radicalismo torquemadeano recebe culto e grande veneração ao corpo exposto em ataúde dourado na Roma do Oriente.

 

Vá lá a gente perceber isto…

Jardim Botânico, Peradeniya, Sri Lanka, NOV15.JPG

 Henrique Salles da Fonseca

 

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(Paródia do episódio Inês de Castro dos “Lusíadas”)

Estavam os mercados em sossego
dos seus juros colhendo doce fruto
naquele encanto de alma ledo e cego
que o Centeno não deixa durar muito;
as bolsas escalando com apego,
os olhos das agências bem enxutos,
saltando e sorrindo sem cuidado:
mas eis que Portugal tem outro fado!

Dos bancos alemães te respondiam
As lembranças que os créditos duravam,
Que sempre ante teus olhos te traziam,
Quando dos seus formosos se apartavam;
De noite, em doces ratings que mentiam,
De dia, em orçamentos que voavam;
E quanto, enfim, cuidava e quanto via
Eram tudo memórias de alegria.
De outras vãs políticas francesas
Ou de Keynes ciência vil enjeita,
Que tu, enfim, só o mercado prezas
Pois seu gesto suave te sujeita.
Vendo outras namoradas estranhezas,
O Teutão sesudo, que rejeita
O murmurar do povo e a fantasia
Do pobre que a ruína não queria
Tirar Centeno ao mundo determina,
Por lhe tirar o juro que tem preso,
Crendo co sangue só da morte indina
Matar da rebeldia o fogo aceso.
Que furor consentiu que a espada fina
Que pôde sustentar o grande peso
Do furor Boche, fosse alevantada
Contra ua fraca pátria delicada?
Traziam-a os horríficos algozes
À Comissão, movida a piedade;
O alemão, com falsas e ferozes
Razões, à morte crua os persuade.
As espadas banhando, e os atrozes
Défices de mentira e de verdade
Se encarniçavam, férvidos e irosos,
No futuro castigo não cuidosos. 

Poema de Luis Filipe Castro Mendes (poeta, embaixador, mas sobretudo meu velho, querido e sintonizado amigo)



 

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Recebi informação de que, em França, legislação recente determina que todos os prédios a construir em zonas comerciais tenham os seus telhados ocupados com painéis solares ou com agricultura. A notícia trazia uma figura, que aqui reproduzo, com a devida vénia.

A notícia parece-me interessante, pois trata de mais um aproveitamento de um espaço que, na maioria dos casos, com os telhados de telhas, nada rende.

Para a agricultura, é mais um bom aproveitamento para aumentar significativamente a produção de frutos e legumes, no seguimento de casos sobre os quais já tenho escrito, do que se obtém nos pequenos quintais e nas varandas.

Sobre a obtenção de energia, recordo algo que sugeri, num concurso que não ganhei. A proposta era que, em vez de painéis solares, colocados sobre o telhado, nas suas vertentes viradas a Sul, o próprio telhado fosse construído com módulos que, na sua construção, integrassem os painéis. Módulos semelhantes poderiam revestir pelo menos uma parte das fachadas viradas a Sul, para aproveitamento da imensa energia que o sol ali faz incidir. Isto aplica-se a painéis para aquecimento de água, ou para a produção de energia eléctrica,  com células fotovoltaicas.

Algum tempo depois vi notícias de algo desse género estar em marcha na Suécia e que, em Portugal, alguém tinha construído telhas com células fotovoltaicas. Nada mais sei destes temas, mas acredito que são boas formas de captar uma parte da energia que o sol derrama sobre a terra durante várias horas do dia.

 

Publicado no “Linhas de Elvas” de 10 de Março de 2016

 

Prof. Miguel Mota

Miguel Mota

 

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Quinta-feira, 10 de Março de 2016

O QUE DIZEM OS BRASILEIROS CULTOS …

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publicado por Henrique Salles da Fonseca às 17:45
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por Vasco Lobo Xavier, em 10.03.16

A geringonça que é este governo apresenta um orçamento, discute um orçamento e propõe-se aprovar um orçamento que, como qualquer um sabe, no momento em que for aprovado já terá de ser alterado. Anda-se a brincar com o país e a pô-lo em perigo, bem como a todos os portugueses.

E tudo isto só para manter um emprego para o derrotado nas eleições legislativas, António Costa. Convém nunca esquecer e ter isto sempre bem presente para percebermos a razão pela qual a desgraça nos vai entrar pela porta outra vez.

 

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Entre os pecados atribuídos ao Acordo Ortográfico — religião em que o jornal Público é sacerdote – contam-se normalmente dois, nomeadamente (i) o de que afinal o AO não está legalmente em vigor e o de que (ii) o AO admite grafias duplas. Sem fundamento, porém.
Primeiro, na nossa ordem constitucional os acordos internacionais valem na ordem jurídica interna sem necessitarem de ser transpostos por lei e até prevalecem sobre a lei doméstica preexistente, pelo que as suas normas só podem ser alteradas por novo acordo. Segundo, antes do AO já existiam numerosas duplas grafias das mesmas palavras, não apenas quando havia duas pronúncias (loura / loiralouça / loiça, bêbedo /bêbado,  organograma /organigrama, síndroma /síndrome, fêvera /febra, etc), mas também mesmo quando não havia (como, por exemplo, ruptura / rotura, carrossel /carrocel, urtiga /ortiga, etc.); o AO só trouxe novos casos de dupla grafia quando há pronúncia diferente no português europeu e no português do Brasil (facto e fato, contacto e contato, receção e recepção, etc.). De resto, a dupla grafia é um fenómeno corrente noutras línguas, como no Inglês.

Adenda
Um fenómeno intrigante é este: por que é que em geral os que usam o AO respeitam sem problemas o uso da antiga grafia pelos que se opõem àquele, enquanto estes em geral não cessam de chamar nomes feios aos primeiros e de lançar anátemas contra eles, quando estes se limitam a usar a ortografia oficial?

 

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DA GUERRA-FRIA PARA A GUERRA QUENTE EM CASA DOS OUTROS

O Médio Oriente está a determinar a política internacional deste século e a Turquia a minar a Europa!

A Turquia usa o conflito internacional no palco da Síria para defender os seus interesses nacionalistas contra uma solução de compromisso internacional. O governo de Moscovo ao apoiar as milícias curdas do Norte da Síria que a Turquia ataca fortalece a exigência curda de um estado próprio e dá-lhe maior relevo ao exigir a sua participação nas conversações de Genebra

O Ocidente encontra-se comprometido com a Turquia mas os EUA apoiam os curdos na luta contra o Estado Islâmico. É esquizofrénico o facto de o ocidente apoiar o governo turco que ataca os aliados da Nato, os curdos contra os extremistas sunitas do EI e deixar a Turquia seu membro atacar os curdos.

A guerra fria entre a Rússia e a Nato e a guerra quente entre sunitas (Turquia/Arábia Saudita contra o Irão (xiitas)) ameaça passar-se da guerra fria para a guerra quente entre os tradicionais blocos.

A TURQUIA ESTÁ A USAR, EM RELAÇÃO À NATO E NA LUTA CONTRA OS CURDOS, A MESMA ESTRATÉGIA QUE USOU NO SEU GENOCÍDIO CONTRA OS ARMÉNIOS. SERVE-SE DA CONFUSÃO DE INTERESSES PARA IMPOR OS SEUS.

Conseguiu impor os seus interesses nacionalistas à sombra da cumplicidade internacional que não queria ver o que a Turquia fazia (Na política de ontem como na de hoje, os alemães estavam então bem informados sobre o genocídio dos arménios e não fizeram nada contra)! O que está em primeiro plano são os interesses da potência alemã. Os países continuam prisioneiros dos seus interesses nacionais.

António Justo.jpgAntónio da Cunha Duarte Justo

 

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O Parlamento é uma geringonça: dois artigos do OE podem detonar uma crise

PAULO PENA

12/03/2016 – 08:04

Os compromissos internacionais com a ajuda à Grécia e à Turquia, inscritos no Orçamento, estão a deixar o Governo em suspenso. O PSD vota contra. E os parceiros de esquerda do PS não parecem aprovar. Venha a máquina de calcular maiorias…A geometria variável do actual Parlamento obriga a uma constante contabilização de maiorias NUNO FERREIRA SANTOS




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TÓPICOS

Grécia
Turquia
Governo
PS
PSD
BE
PCP
Pedro Passos Coelho
Orçamento do Estado
António Costa
Bruxelas
João Galamba
CDS
Parlamento

Os artigos são seguidos, 80º e 81º. O primeiro autoriza o Governo a financiar o Programa europeu de assistência financeira à Grécia, no valor de 106,9 milhões de euros. O segundo artigo aprova 24,3 milhões – o valor da contribuição portuguesa para o “mecanismo de apoio à Turquia em favor dos refugiados”. Dois compromissos internacionais do Estado português, assumidos pelos dois últimos Governos (o actual e o anterior), que estão agora em risco de chumbar no Parlamento.

O Governo adiantou ao PÚBLICO que ainda decorrem negociações com os grupos parlamentares, mas os dois artigos, que já deviam ter sido votados, foram adiados para terça-feira, o último dia da votação na especialidade das normas do Orçamento do Estado.

O PS, naturalmente, garante o seu voto favorável. O problema é que esta é uma matéria sobre a qual não existe acordo com os restantes partidos de esquerda. O PCP adianta que “não há problema nenhum” com o seu “sentido de voto”. Mas não diz se vota a favor. O vice-presidente da bancada do Bloco de esquerda, Jorge Costa, explica quais são os problemas do seu partido com os dois artigos: “Estes artigos concretizam processos conduzidos pelo anterior Governo. Na Grécia não recusamos um plano de assistência, mas quando vem com imposições de austeridade, não aprovamos para os gregos o que recusamos para nós. Quanto à Turquia, o plano já foi recusado pelas Nações Unidas.”

Ou seja, o BE parece ter decidido abster-se no artigo sobre a Grécia, mas opõem-se claramente ao da Turquia. Posição inversa à do CDS que, ao que o PÚBLICO apurou, pode viabilizar a ajuda à Turquia na questão dos refugiados, mas não no caso da Grécia. A posição oficial do partido estará tomada, mas a deputada Cecília Meireles explicou ao PÚBLICO que, por estar a decorrer o congresso do partido e uma transição de liderança, não é a altura para fazer esse debate. O partido revelará o seu sentido de voto no dia da votação.

Já o PSD é taxativo: “Votamos contra”, explica o deputado Duarte Pacheco. “É a nossa posição de princípio: quem tem de assegurar a viabilidade é a maioria que suporta o governo e não a oposição. Nós agora somos oposição.”

E é aqui que entra a máquina de calcular. O PSD é o maior partido no Parlamento, com 89 deputados. O PS tem menos três, 86. Para conseguir que a norma passe, o PS precisa de garantir que, pelo menos, um grupo parlamentar de três (PCP, BE ou CDS) vota ao seu lado. E isso não está garantido. E pode não chegar. Porque, aparentemente, conta com dois votos contra, um para cada um dos artigos.

No caso da Grécia, se PSD e CDS, como tudo indicam, votam contra, o PS precisa de garantir que 108 deputados votam a favor. E isso parece ser possível, se o BE se abstiver. Sobram os 104 deputados do PS, PCP, PEV e PAN. Não chega.

O caso da Turquia é diferente. O PSD e o BE votam contra: são 108 deputados. Se PS, CDS e PCP votarem a favor são 109.

Em todo o caso, há um problema político que ameaça todo o espectro político. Este é um compromisso europeu. E Bruxelas vai receber a notícia do chumbo com alguma incredulidade. Desde logo porque António Costa garantiu ter reunidas as condições para aprovar o Orçamento, e também para cumprir esses compromissos. Se a esquerda contribuir para o chumbo destas duas medidas, mostra que a estabilidade anunciada não é garantia para tudo.

Mas também o PSD pode pagar um preço por este chumbo anunciado. É que ambos os compromissos foram negociados pelo executivo de Pedro Passos Coelho e não deixa de parecer uma jogada de política interna a recusa em aprovar as verbas com que Portugal se comprometeu no programa grego, ou na estratégia para os refugiados na fronteira turca.

João Galamba, do PS, lembra que foi o PSD quem, em Novembro, apresentou uma resolução (a 138/2015, de 20 de Novembro) no Parlamento onde pretendia reafirmar a validade desses compromissos. O terceiro ponto era dedicado a estes pontos. “Não deixa de ser irónico que o primeiro partido a violar esses compromissos seja o PSD”, acusa João Galamba.

Até terça-feira, alguma destas posições pode mudar. Mas o tom da legislatura parece ser este. Uma geometria tão variável que até torna emocionante a tradicionalmente hermética discussão na especialidade do Orçamento…

 

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Sexta-feira, 11 de Março de 2016

ALGUMAS PALAVRAS DE ORIGEM PORTUGUESA EM USO EM BAÇAIM

Baçaim 2.png

 

Cunyadh – Cunhado

Khameez – Camisa

Madrine – Madrinha

Mez – Mesa

Naat ou Naatu – Neto

Navra – Noivo

Navri – Noiva

Padrine – Padrinho

Sapatan (“n” mudo) – Sapatos




 

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EVM-parque eólico.jpg

Os efeitos do CO2 na alteração climática parecem ser óbvios e reconhecidos. E felizmente o ‘mundo’, sobretudo o rico, já se convenceu de que não pode ver tranquilamente ‘a banda passar’, sem uma actuação no sentido de reduzir as emissões. Como é óbvio os que mais energia consomem, os países ricos, mais poluem. Há países com uma cultura milenar, para quem a conservação da natureza e quanto a compõe é uma dever, para não criar desequilíbrios. É o caso da India, com quem se pode aprender muito, da sua sabedoria acumulada.

 

Há uns anos atrás, a Chief Minister de Delhi, Sheila Diskit, decretou que todos os taxis e rickshaws da cidade só podiam ser movidos a gás dentro de 1 ano. E assim se fez, melhorando sensivelmente a qualidade do ar. Outras iniciativas se tem tomado, como circularem as matrículas par ou impar… Mas o alívio maior deve vir com maior uso dos transportes colectivos, em especial o Metro, e dos carros eléctricos. Estes já se fabricam na India, mas agora verão aumentar a produção (marca Mahindra, Reva).

 

De facto, a Índia com uma população 1290 milhões, tem dado a maior atenção às fontes energéticas, por ser também o país de maior crescimento económico, como se espera que seja nos próximos 20 anos, pelo menos. Como faz? Ainda quando não era compensador produzir energia renovável sob certas formas –a solar e a eólica­–, ela fê-lo e vai continuar célere.

 

Em concreto, está a fazer os aproveitamentos hidroeléctricos possíveis, com as precauções de realojar famílias deslocadas e minimizar os impactes ambientais; e,  marcou metas muito elevadas para a energia eólica e solar.

 

Dos 25.000 MW eólicos já instalados e a produzir (Dez. 2015), quer dar o salto para os 60.000 MW em 2022. Tem uma boa indústria para a produção de grupos geradores, embora a limitação seja o baixo factor de aproveitamento, de cerca de 15% apenas. Hoje a Índia ocupa a 4ª posição mundial nesta energia, o que não é mau.

 

Da energia solar, tem instalados e a produzir 5.130 MW (Jan. 2016), o que é um valor bom, comparado com países desenvolvidos. Pretende chegar aos 100.000 MW em 2022. É uma meta ousada, pois a tecnologia está em maturação, com baixo rendimento por m2 de incidência solar, e os custos unitários a caírem, sendo já competitivos com o KW produzido por via térmica. Faz falta uma evolução para maior concentração do calor, e menos área por MW instalado. Há investigação e progressos…

 

Estas duas formas têm a dupla vantagem: produzem energia sem libertação do CO2 e criam trabalho a montante na fabricação de geradores eólicos e células ou painéis foto voltaicos, tão desejados pelo Programa ‘Make in India’.

 

Qual a razão do ‘Make in India’? A Índia nas mãos dos colonizadores britânicos ficou destruída na sua capacidade de produzir riqueza: se em 1700 produzia, segundo Angus Maddison, 27% da riqueza mundial, que era transferida para o RU, nessa altura, a Europa, no seu todo, apenas produzia 23% da riqueza do mundo! Logo após a saída dos ingleses, em 1952, a Índia só produzia 3% da riqueza mundial! Alguém se lembrará que é natural, por o perfil da riqueza se ter alterado de 1700 para 1952. Talvez… Mas tome-se em conta que a Índia, já em 1500, tinha serviços: comerciava e transportava para as vizinhanças próximas e longínquas as especiarias, sedas, pigmentos, açúcar, diamantes, etc…. Não era só potência agrícola, como a Europa; e só assim se entende a pressa em despachar Vasco da Gama para a Índia, porque a vantagem é sempre de quem chega primeiro.

 

Em 1991 a Índia teve o seu renascimento económico com a abertura da economia e aproveitou o seu escol de engenheiros e licenciados em variadas saberes, bem preparados e sub-aproveitados, e começou a criar riqueza em serviços de TI, a melhorar a agricultura e a retomar a indústria decadente. Sem boas infraestruturas, foi pela senda mais óbvia: dos serviços e, destes, os de mais fácil transporte, à velocidade da luz, pela internet.

 

O período de 1950 a 1991 fôra de completa esterilidade, com o anacrónico modelo económico, altamente intervencionista, designado de ‘socialismo indiano’. Não se criou trabalho, nem riqueza, em valores substanciais, para a retoma económica. Esta, só começou em 1991, quando a iminência da ruptura financeira obrigou à abertura económica, com competição interna e externa. Isso, sim, melhorou a qualidade e os custos de todos os produtos fabricados localmente.

 

De há tempos, o Primeiro Ministro Modi está a focar na industria, com o vigoroso programa ‘make in India’, ao ser a indústria quem cria mais postos de trabalho, de menor qualificação, por unidade de capital investido. As energias vão ser um pequeno motor do programa.

 

A Índia tem também longa experiência na geração de energia nuclear, pois construiu e explora 18 centrais e tem alguma potencia adicional em instalação. A energia nuclear pode ter o problema da radioactividade, controlável. E tem associado o receio permanente de algum acidente, que pode ter efeitos imprevisíveis.

 

A energia hídrica é limpa; pode ter impactes muito limitados sobre o clima e a fauna local. Dos cerca de 94.000 MW de potencial hídrico já estão aproveitados 42.000 e programados outros.

 

Ao ter pouco petróleo e gás, a Índia é hoje dos países que muito racionalmente procura satisfazer as suas necessidades de energia, explorando com moderação o carvão, apesar de ter o subsolo muito rico desse combustível, que é poluente. Segue assim a via mais onerosa, das energias renováveis, esperando que dêem experiência e conhecimentos para as ir tornando mais económicas a prazo.

 

Eugenio Viassa Monteiro.jpg

 Eugenio Viassa Monteiro [1]

[1] Professor da AESE-Business School. Dirigente da AAPI-Associação de Amizade Portugal-Índia

 
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